Porto Alegre, 04 de setembro de 2026 – O mercado brasileiro de arroz encerrou o mês de agosto em uma configuração de consolidação com forte atrito entre oferta, demanda e custo, após uma recuperação expressiva das cotações.
“O patamar de R$ 80 pela saca de 50 quilos deixou de representar apenas recuperação de preços e passou a funcionar como referência econômica da cadeia, em um ambiente no qual a relação entre preço recebido e custo de produção finalmente se aproxima do equilíbrio”, destaca o consultor e analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
A sustentação atual, portanto, possui fundamento estrutural, mas enfrenta uma importante barreira de repasse ao consumidor. “Na origem, o principal vetor continua sendo a retenção na fonte”, ressalta. “O produtor, após longo período operando com margens comprimidas, mantém o arroz como proteção patrimonial diante do risco climático para a safra 2026/27”, acrescenta.
Para Oliveira, caso setembro mantenha elevada precipitação, o atraso da semeadura poderá transformar o risco climático em redução efetiva de oferta futura.
Na indústria, a conjuntura é diferente. “Os estoques foram recompostos e a urgência de originação diminuiu, limitando a capacidade de sustentar novas altas”, explica.
A queda de braço deslocou-se para o repasse: o varejo inicialmente resistiu, mas começou a buscar cobertura diante do risco de abastecimento futuro. “Essa mudança melhora a perspectiva de demanda, embora não elimine o risco de encharcamento de canal caso o consumidor rejeite reajustes adicionais”, relata o analista.
Assim, projeta o consultor, a indústria tende a operar com fluxo de cadência mais disciplinado, priorizando reposição de passagem e evitando formação excessiva de estoque.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras
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