Esteio, 1 de setembro de 2026 – O impacto dos parasitas sobre a pecuária pode ser muito maior do que aquele percebido visualmente pelo produtor. Enquanto problemas como o carrapato costumam ser identificados com maior facilidade no rebanho, parasitas internos podem comprometer o desempenho dos animais sem apresentar sinais evidentes. O alerta é do gerente de Marketing e Técnico da Boehringer Ingelheim, Roulber Silva, em entrevista exclusiva com a Agência Safras durante a 49ª Expointer 2026, em Esteio (RS).
Segundo Silva, uma pesquisa realizada pela empresa identificou um número elevado de pecuaristas que ainda não reconhecem completamente o impacto dos parasitas sobre a produção. O problema é especialmente relevante no caso das verminoses gastrointestinais, que podem provocar perdas de desempenho de forma subclínica.
“Quando a gente fala de subclínica, não tem um sintoma aparente de você ver o problema. Então, o que ela causa? Ela não deixa o animal performar o tanto que ele poderia performar com o potencial genético dele”, explicou.
Como exemplo, o técnico cita um animal que teria potencial para ganhar 15 quilos por mês, mas que, devido à presença de parasitas, poderia ganhar apenas 10 quilos. Nesse cenário, o produtor observa que o animal está ganhando peso, mas pode não perceber que parte do potencial produtivo está sendo perdida.
“Você acha que está ganhando 10 quilos. Poderia ganhar mais. Poderia ganhar quase 50% mais. E o pecuarista não está vendo, porque tem um parasita interno causando esse problema”, afirmou.
No caso do carrapato, Silva destaca ainda a influência direta do ambiente. Segundo ele, aproximadamente 95% da população do parasita está no ambiente, enquanto apenas 5% permanece sobre o animal. Por isso, períodos de calor e umidade podem aumentar a infestação e exigir maior atenção ao controle. “O momento que você tem calor e umidade, e essa conjunção deve acontecer aqui no Rio Grande do Sul, ligado ao El Niño, você aumenta a infestação de carrapato”, afirmou.
Diante das pressões sobre as margens da pecuária, o controle de custos ganhou importância para o produtor. Para Silva, porém, reduzir investimentos em sanidade pode acabar produzindo o efeito contrário e aumentar as perdas.
Ele estima que a sanidade represente, em média, cerca de 3% do custo operacional total de uma atividade de produção de gado de corte no Brasil. Por isso, deixar de investir em tratamentos e medidas preventivas pode representar uma falsa economia. Na avaliação do especialista, a sanidade precisa deixar de ser encarada apenas como um custo e passar a ser considerada um investimento na produtividade do rebanho.
“Às vezes deixa de fazer um tratamento, fazer uma vacinação, achando que está economizando e, na verdade, está perdendo. A gente tem que começar a ver a sanidade como investimento”, afirmou.
Para Silva, ampliar o acesso à informação é parte fundamental desse processo. As pesquisas realizadas pela empresa buscam justamente identificar onde estão as principais lacunas de conhecimento dos pecuaristas e quais informações podem ajudá-los a reconhecer perdas que não são imediatamente visíveis no rebanho.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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