Esteio, 1 de setembro de 2026 – A área efetivamente plantada com arroz no Rio Grande do Sul na safra 2026/27 pode ficar abaixo dos 861,8 mil hectares indicados na estimativa inicial para o ciclo. A avaliação é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, que citou crédito restrito e caro, preços baixos, descapitalização dos produtores, demora nas renegociações e condições climáticas entre os fatores que devem limitar o plantio.
Em entrevista exclusiva à Agência Safras nesta terça-feira (1), durante a Expointer, Nunes afirmou que a Federarroz considera que a retração poderá ser ainda maior quando a área efetivamente semeada for conhecida.
“Nós, da Federação, acreditamos que esse vai ser o máximo que teremos. Vai ser daí para baixo. Acreditamos em uma área até inferior neste ano, quando tivermos a realidade do plantio”, afirmou.
A estimativa para 2026/27 aponta redução de 3,4% na área de arroz, dos 891,9 mil hectares cultivados em 2025/26 para 861,8 mil hectares. A produção é projetada em 7,533 milhões de toneladas, queda de 5,49% frente às 7,971 milhões de toneladas da temporada anterior.
Segundo Nunes, a redução esperada decorre de uma combinação de fatores, com destaque para as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor.
“Nós temos dificuldade de crédito, dinheiro muito caro e uma restrição de crédito geral. Acredito que seja uma junção de fatores: dificuldade de crédito, preço e o fato de grande parte dos produtores já ter comercializado anteriormente a preços muito baixos”, explicou.
O presidente da Federarroz afirmou que a comercialização a valores reduzidos contribuiu para a descapitalização dos produtores e aumentou as dificuldades para o cumprimento das obrigações relacionadas ao custeio.
“Isso tudo descapitalizou, trouxe dificuldade nos nossos pagamentos e no cumprimento das nossas responsabilidades de custeio. A renegociação também está demorando muito”, disse.
Além das dificuldades financeiras, Nunes citou o clima como outro fator capaz de limitar as decisões de plantio. Para o dirigente, diante da perspectiva de condições climáticas adversas, o produtor não encontra neste momento estímulo para ampliar a área cultivada.
A avaliação da Federarroz ocorre em um cenário no qual não apenas a área deverá recuar. A estimativa inicial aponta produtividade de 8.741 quilos por hectare na safra 2026/27, queda de 2,21% frente aos 8.939 quilos por hectare do ciclo anterior. Com área e rendimento menores, a produção deverá recuar 5,49%.
Para a Federarroz, portanto, os 861,8 mil hectares atualmente projetados podem representar um teto para a próxima temporada, com possibilidade de nova revisão para baixo à medida que o plantio avance e seja possível conhecer a área efetivamente implantada.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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