Esteio, 31 de agosto de 2026 – A intenção de semeadura de arroz irrigado no Rio Grande do Sul para a safra 2026/27 é de 861.778,88 hectares, queda de 3,4% frente aos 891.908,50 hectares cultivados na temporada 2025/26. Os dados foram divulgados na manhã desta segunda-feira (31) pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), durante a 49a Expointer, em Esteio (RS). A apresentação marcou o início da cobertura da Agência Safras na feira, que segue até 6 de setembro.
A retração ocorre em todas as regiões arrozeiras do Rio Grande do Sul. A maior queda é projetada para a Planície Costeira Interna, de 5,5%, com a área passando de 137.482 hectares para 129.916 hectares. Na Zona Sul, a redução prevista é de 3,8%, para 145.390,80 hectares, enquanto a Fronteira Oeste deve recuar 3,7%, para 247.595 hectares.
Na Campanha, a intenção de semeadura é de 121.753 hectares, queda de 3,1%. A Planície Costeira Externa deve registrar redução de 2%, para 102.186,08 hectares, enquanto a Região Central apresenta a menor retração, de 1,1%, para 114.938 hectares. No total, a área projetada recua dos 891.908,50 hectares da temporada passada para 861.778,88 hectares em 2026/27.
O cenário de preços é um dos fatores que ajudam a explicar a menor intenção de plantio. O diretor comercial do Irga, Juandres Horbe Antunes, afirmou que a trajetória de redução da área sinaliza que as atuais cotações não têm sido atrativas aos produtores.
“Se os preços estivessem atrativos, com certeza as áreas estariam aumentando. O que está se desenhando é uma área menor, e a gente imagina preços menos deprimidos do que neste ano”, afirmou.
Segundo Antunes, a safra atual foi marcada pela comercialização de arroz a preços baixos e, em muitos casos, inferiores aos custos de produção, além de um cenário complicado de acesso ao crédito. A expectativa é de que a menor área contribua para uma melhora das cotações na próxima temporada.
“A sinalização hoje é positiva do ponto de vista do preço porque estamos reduzindo a área plantada. Esperamos preços melhores no ano que vem, na boca da safra”, complementa.
O diretor comercial acrescentou que o custo médio de produção do arroz gira em torno de R$ 80. Segundo ele, há produtores com custos próximos de R$ 90 e produtores mais produtivos com valores ao redor de R$ 75, mas a média dificilmente fica abaixo de R$ 80.
O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, afirmou que uma intenção menor de semeadura já era esperada diante da conjuntura enfrentada pela cadeia produtiva. Segundo ele, os preços baixos, os estoques de passagem e a forte dificuldade de acesso ao crédito estão entre os fatores que ajudam a explicar a retração projetada.
“Como entidade, nós já esperávamos um anúncio menor devido a toda essa conjuntura de preços baixos, estoques de passagem e uma dificuldade de crédito muito grande como nunca vimos nos últimos dias”, afirmou.
Soja
A intenção de semeadura de soja em terras baixas do Rio Grande do Sul também aponta retração na safra 2026/27. A área projetada pelo Irga é de 431.013,93 hectares, queda de 1,3% frente aos 436.836,77 hectares da temporada 2025/26. O instituto destaca que a soja está consolidada como sistema de rotação com o arroz irrigado no Rio Grande do Sul.
Dia de Campo Estadual 2027
Durante a programação na Expointer, o Irga também lançou o Dia de Campo Estadual 2027, marcado para 28 de janeiro de 2027, em Cachoeirinha (RS).
A próxima edição terá como tema “Safra que rende: tecnologia, manejo e eficiência para aumentar a rentabilidade da lavoura arrozeira”. A proposta é trabalhar a questão da rentabilidade dentro dos próprios sistemas produtivos e dos lançamentos apresentados pelo instituto. Além dos trabalhos desenvolvidos a campo, a programação contará com palestra voltada ao tema.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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