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Feijão-mungo impulsiona avanço de 17,2% das exportações brasileiras em 2026

Feijão

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Porto Alegre, 28 de agosto de 2026 – As exportações brasileiras de feijão somaram 256,2 mil toneladas entre janeiro e julho de 2026, avanço de 17,2% frente às 218,6 mil toneladas registradas no mesmo período do ano passado. Os embarques movimentaram US$ 200,66 milhões. O crescimento, porém, não ocorreu de forma homogênea e foi sustentado principalmente pelo forte avanço do feijão-mungo, que vem redesenhando a pauta exportadora brasileira.

Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o desempenho do feijão-mungo também está relacionado ao modelo de comercialização. As variedades mungo preto e mungo verde foram desenvolvidas para atender à demanda asiática e são produzidas a partir de contratos de entrega formalizados com tradings.

“O feijão-mungo veio com essa novidade das exportações via contrato, trazendo segurança para os produtores. O produtor só vai produzir se tiver o contrato do pedido da trading em mãos”, explica Oliveira.

Com as condições de comercialização estabelecidas previamente, o produtor tem maior previsibilidade sobre a venda e o valor a ser recebido, reduzindo a exposição às oscilações do mercado. A dinâmica é diferente daquela encontrada em classes como os feijões preto e vermelho, nas quais a produção pode chegar à colheita sem uma demanda externa previamente estabelecida.

Os números mostram a dimensão da mudança. As exportações de feijão-mungo saltaram de 103,28 mil toneladas entre janeiro e julho de 2025 para 177,68 mil toneladas neste ano. Em sentido contrário, os embarques de feijão comum, categoria que engloba preto, branco e vermelho, recuaram de 77,77 mil para 36,55 mil toneladas. O caupi chegou a 40,28 mil toneladas, avanço de 2,89 mil toneladas.

“A pauta foi profundamente redesenhada pelo feijão-mungo. É justamente por isso que ele está com todo esse destaque na balança comercial”, destaca o analista.

O valor médio das exportações brasileiras ficou em US$ 783,25 por tonelada, equivalente a aproximadamente US$ 47,00 por saca de 60 quilos antes da conversão cambial. Entre os destinos com remuneração acima da média brasileira estão Estados Unidos, com US$ 1.052,14 por tonelada, Europa, em torno de US$ 922, Vietnã, US$ 861,24, Filipinas, US$ 856,13, Tailândia, US$ 839,43, e Paquistão, US$ 832,23. A Índia apresentou preço médio de US$ 748,42 por tonelada.

Mato Grosso lidera origem dos embarques
Mato Grosso respondeu por 135,45 mil toneladas, ou aproximadamente 52,9% do volume exportado pelo Brasil. Tocantins aparece na sequência, com 50,08 mil toneladas e participação de 19,5%. Juntos, os dois estados concentraram cerca de 72,4% dos embarques. O Paraná respondeu por 13,29 mil toneladas, ou 5,2%.

Índia concentra demanda

A Índia permanece como principal destino do feijão brasileiro, com 162,29 mil toneladas entre janeiro e julho, equivalentes a 63,35% de todo o volume exportado. Somente de feijão-mungo, foram 125,04 mil toneladas, crescimento de aproximadamente 69%.

Paquistão, com 21,16 mil toneladas, Vietnã, com 19,91 mil toneladas, e Tailândia, com 10,62 mil toneladas aparecem entre os demais principais destinos. A expansão asiática também vem se diversificando: os embarques de feijão-mungo para o Vietnã cresceram 162% e para o Paquistão avançaram 56%.

“A concentração indiana representa simultaneamente uma oportunidade de escala e um risco comercial. Mudanças na política de importação, na produção doméstica, nos estoques ou nos preços asiáticos podem alterar rapidamente a janela de exportação brasileira e a paridade na origem”, avalia Oliveira.

Balança permanece superavitária

As importações brasileiras somaram 29,46 mil toneladas e US$ 19,58 milhões entre janeiro e julho. Com isso, o saldo comercial ficou positivo em 226,73 mil toneladas e US$ 181,08 milhões, com o país exportando quase nove vezes o volume importado.

A Argentina respondeu por 28,38 mil toneladas, ou 96,35% das importações, enquanto o Paraná absorveu 25,95 mil toneladas, aproximadamente 88% das entradas.

Apesar do amplo superávit, Oliveira ressalta que as compras externas continuam atendendo a demandas específicas. “O superávit agregado não elimina necessidades pontuais de produto, qualidade, localização e logística”, aponta.

No curto e médio prazo, o desafio será transformar o avanço dos embarques em liquidez exportadora recorrente, preservando as margens na origem. Ao mesmo tempo em que abre uma nova frente comercial com maior segurança aos produtores, o avanço do feijão-mungo amplia a exposição do Brasil à volátil demanda asiática.


Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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