Porto Alegre, 28 de agosto de 2026 – O mercado brasileiro de milho registrou preços firmes ao longo da semana, sustentados pela retração da intenção de venda e pela menor fixação de oferta por parte dos produtores.
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, os vendedores seguem cautelosos, apostando em cotações mais elevadas adiante, especulando com o movimento de alta dos mercados futuros e pela melhora da paridade de exportação.
Do lado da demanda, os consumidores continuam resistentes em pagar valores significativamente mais altos neste momento pelo milho. Em algumas regiões, o abastecimento ainda é considerado confortável, limitando a necessidade de novas aquisições. Contudo, em mercados, como o de São Paulo, já é possível observar uma postura um pouco mais ativa na busca por lotes, refletindo uma oferta menos disponível.
No mercado interno, a colheita da safrinha avança em ritmo satisfatório na maior parte do país. Ainda assim, estados como São Paulo e Minas Gerais apresentam um volume considerável de área a ser colhida.
No cenário internacional, os preços tiveram nova valorização ao longo da semana, alcançando os maiores patamares desde julho de 2023, avaliando a queda na produtividade do milho norte-americano, as preocupações com as chuvas irregulares e o calor para o desenvolvimento das lavouras e os sinais de demanda aquecida para o cereal. O indicativo de interrupções no fornecimento de grãos na região do Mar Negro, com o conflito entre Rússia e Ucrânia se acentuando e o temor de perdas na produção na Europa pelo calor e seca também favoreceram ganhos na Bolsa de Chicago.
Preços do milho
O valor médio da saca de milho no Brasil foi cotado a R$ 66,17 no dia 27 de agosto, alta de 3,37% frente aos R$ 64,01 registrados no final da última semana. No mercado disponível ao produtor, o preço do milho em Cascavel, Paraná, foi cotado a R$ 63,00, estável frente ao final da semana anterior.
Em Campinas/CIF, a cotação teve avanço de 5,71% frente aos R$ 70,00 praticados no final da última semana, atingindo R$ 74,00. Na região da Mogiana paulista, a saca do cereal avançou 6,25% ao longo da semana, passando de R$ 64,00 para R$ 68,00.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca foi cotada a R$ 67,00, alta de 8,06% frente aos R$ 62,00 registrados no fim da semana passada. Em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço seguiu em R$ 70,00 por saca.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda ficou em R$ 64,00, alta de 1,59% frente aos R$ 63,00 praticados no final da semana passada. Já em Rio Verde, Goiás, a saca foi cotada em R$ 65,00, avanço de 10,17% frente aos R$ 59,00 praticados na última semana.
Exportações
As exportações de milho do Brasil apresentaram receita de US$ 745,065 milhões em agosto até o momento (15 dias úteis), com média diária de US$ 49,671 milhões. A quantidade total de milho exportada pelo país ficou em 3,433 milhões de toneladas, com média de 228,923 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 217,00.
Em relação a agosto de 2025, houve baixa de 23,0% no valor médio diário da exportação, perda de 29,8% na quantidade média diária exportada e valorização de 9,6% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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