Porto Alegre, 25 de agosto de 2026 – Um levantamento apresentado nesta terça-feira (25) pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) apontou que 80,22% de 268 amostras de arroz analisadas em laboratório credenciado estavam em desconformidade com o tipo informado na embalagem. Os dados foram divulgados durante coletiva de imprensa acompanhada pela Agência Safras, em Porto Alegre (RS).
A entidade ressaltou que o percentual não representa o universo do arroz comercializado nas prateleiras brasileiras. A coleta foi direcionada a produtos que já apresentavam indícios visuais de desconformidade com o padrão Tipo 1 declarado na embalagem e também considerou produtos de menor preço.
Das 268 amostras, apenas 19,78% foram classificadas como Tipo 1. Outros 42,16% foram enquadrados como Tipo 2, 27,23% como Tipo 3, 5,97% como Tipo 4 e 4,10% como Tipo 5. O levantamento foi realizado em seis estados, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, reforçou que os resultados devem ser interpretados considerando a metodologia adotada. “Esses 80,22% das amostras que estavam em desconformidade são as amostras que nós recolhemos e nós já imaginávamos que estavam com defeito visualmente. Então, não é o percentual do arroz que está nas prateleiras do supermercado”, explicou.
Entre as marcas que despertaram desconfiança e integraram a amostragem, 40% apresentaram problemas. Em alguns casos, mais de um produto da mesma empresa foi analisado.
Segundo Nunes, a desconformidade está relacionada principalmente à presença de grãos quebrados em proporções diferentes das admitidas para o tipo declarado. “Quando tem arroz quebrado, não quer dizer que o produto tenha algum problema ou que não seja saudável, mas sim que há uma questão de qualidade”, afirmou.
A Federarroz reforçou, ainda, que os casos apresentados não representam risco à saúde do consumidor. A questão está relacionada à qualidade e à conformidade da classificação declarada na embalagem.
Para o consumidor, Nunes apontou dois sinais que podem chamar a atenção no momento da compra: preço muito abaixo do padrão e presença significativa de grãos quebrados visíveis na embalagem. Caso identifique uma possível desconformidade, o consumidor pode encaminhar uma denúncia ao Procon.
A entidade avalia ainda que a prática pode gerar concorrência desleal, uma vez que produtos com maior proporção de grãos quebrados podem ter custo inferior e disputar mercado com empresas que mantêm os padrões correspondentes à classificação indicada na embalagem.
Na frente jurídica, a Federarroz informou que já realizou 150 denúncias na esfera administrativa. Após a Expointer 2026, que será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS), pretende encaminhar as informações aos demais órgãos competentes para a apuração.
O diretor jurídico da entidade, Anderson Belolli, explicou que eventuais responsabilizações podem ocorrer nas esferas administrativa, cível e penal, envolvendo varejo, indústria, cooperativas e, conforme o caso, pessoas físicas responsáveis. Entre os órgãos competentes estão Procons, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministérios Públicos estaduais e Federal e polícias Civil e Federal.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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