São Paulo, 8 de agosto de 2026 – As atenções do mercado financeiro global estão voltadas para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos na quarta-feira. O indicador ganha importância após o relatório de emprego de sexta-feira mostrar perda inesperada de 23 mil vagas em julho, reduzindo as apostas em uma alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro. Atualmente, o mercado atribui probabilidade inferior a 50% a um aumento dos juros na próxima reunião. A temporada de balanços aqui e no exterior, a ata do Copom e o INPC de julho também estão no radar dos investidores.
No mercado de petróleo, os preços sobem. O mercado acompanha as negociações entre Irã e Omã sobre a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz. O Irã afirmou estar próximo de um acordo com Omã, mas apresentou uma série de exigências aos Estados Unidos para permitir a reabertura do estreito, incluindo compensações pelos danos da guerra e o fim de ações militares contra Teerã e grupos aliados. As condições aumentaram as dúvidas sobre uma solução rápida para o conflito.
“Lá fora, temporada de resultados nos EUA segue firme e reforça os fundamentos saudáveis das principais empresas do país, ainda que a barra para surpreender o mercado esteja cada vez mais alta”, relata a Ajax Asset, em relatório semanal. “Enquanto isso, dólar se fortalece e as taxas das treasuries tem leve alta na margem. Vale notar: esses dados de atividade e inflação nos EUA – determinantes para a postura do Fed – devem seguir como o principal vetor de direcionamento dos mercados globais, em especial o dólar nos próximos meses, com reflexos relevantes ao Real”, completa. “Hoje, os ativos deverão acompanhar os movimentos internacionais, com alguma pressão de alta no mercado de câmbio e juros”, conclui.
Focus sem grandes surpresas
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus reduziram de 5,03% para 5,02% a previsão para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. A meta para a inflação no período é de 3,00%.
A previsão de inflação nos preços administrados – que são controlados por contrato ou pelo poder público – diminuiu de 4,93% para 4,91%, enquanto a projeção para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu de 4,54% para 4,47%.
Para 2027, as instituições financeiras mantiveram em 4,22% a previsão para a inflação medida pelo IPCA. A meta para a inflação no período é de 3,00%.
A previsão de inflação nos preços administrados em 2027 ficou estável em 3,90%, enquanto a projeção para a inflação medida pelo IGP-M caiu de 4,16% para 4,14%.
As instituições reduziram de 1,99% para 1,98% a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A projeção para 2027 diminuiu de 1,57% para 1,52%.
O BC estima que a economia brasileira crescerá 2% em 2026, segundo a edição mais recente do Relatório de Política Monetária (RPM), publicada em junho.
A pesquisa Focus manteve em 13,75% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. Atualmente, ela está em 14,00%, o que significa que o mercado espera um corte 0,25 ponto porcentual (pp) até o final do ano. Há quatro semanas, a estimativa para a Selic ao fim de 2026 estava em 14,00%. Para 2027, a estimativa para a taxa Selic manteve-se em 12,00%.
A projeção para a taxa de câmbio em 2026 ficou estável em R$ 5,20 por dólar, enquanto a estimativa para 2026 manteve-se em R$ 5,28 por dólar. Há quatro semanas, as previsões eram as mesmas tanto para 2026 quanto para 2026.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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