Porto Alegre, 6 de agosto de 2026 – A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (6) em baixa. O mercado foi pressionado por um movimento de ajuste técnico, enquanto as expectativas de grandes safras na Rússia e na Ucrânia amenizaram parte das preocupações com a oferta global.
Os investidores seguiram acompanhando os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia. Um ataque russo atingiu um navio de bandeira estrangeira carregado com trigo na área ucraniana do Mar Negro, provocando a morte de um tripulante e um incêndio. Apesar de os ataques continuarem prejudicando os embarques da região, a Reuters destacou que a perspectiva de grandes colheitas na Rússia e na Ucrânia, além de boas safras em países importadores como Marrocos e Turquia, ajudou a limitar os temores quanto ao abastecimento mundial.
As vendas líquidas norte-americanas de trigo da safra 2026/27 somaram 296,4 mil toneladas na semana encerrada em 30 de julho, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O principal destino foi as Filipinas, com 87,8 mil toneladas. O volume ficou dentro das expectativas do mercado, que variavam entre 200 mil e 400 mil toneladas.
Segundo a Reuters, o mercado também passou a direcionar parte das atenções para o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, que será divulgado na próxima semana. Ao mesmo tempo, a consultoria SovEcon avaliou que os participantes seguem subestimando os riscos para as exportações do Mar Negro. A empresa estimou as exportações russas de trigo em apenas 1,6 milhão de toneladas em julho, abaixo das 2,1 milhões registradas um ano antes e o menor volume para o mês desde a temporada 2017/18. A consultoria atribuiu o desempenho às restrições de navegação no Mar de Azov, aos ataques à infraestrutura de exportação e à demanda mais fraca de importantes compradores, destacando que as dificuldades simultâneas nos embarques da Rússia e da Ucrânia continuam oferecendo suporte aos preços globais do cereal.
Os contratos com entrega em setembro fecharam cotados a US$ 6,31 1/4 por bushel, com baixa de 11,00 centavos de dólar, ou 1,71%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em dezembro encerraram a US$ 6,50 1/2 por bushel, com recuo de 10,75 centavos de dólar, ou 1,62%.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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