Porto Alegre, 28 de julho de 2026 – As exportações brasileiras de carne suína passam por um processo de reacomodação diante da recuperação da produção chinesa, mas a diversificação dos mercados compradores e a ampliação do portfólio de produtos embarcados devem sustentar o crescimento do setor nos próximos anos. Essa é a avaliação do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, apresentada durante coletiva de imprensa sobre as perspectivas da suinocultura nacional.
Segundo Santin, a redução das compras chinesas era um movimento esperado após o país asiático recuperar seu plantel, afetado anteriormente pela peste suína africana (PSA). Ainda assim, a China continuará sendo um mercado estratégico para os exportadores, especialmente pela demanda por miúdos, produto que a produção local não consegue suprir integralmente. “O consumo de miúdos na China é maior do que a capacidade de produção do país”, destacou.
Para o executivo, mesmo com oscilações na produção chinesa, esse fluxo comercial tende a permanecer, já que se trata de uma demanda estrutural e complementar. Nesse cenário, Santin afirmou que o Brasil trabalha para ampliar sua participação naquele mercado.
Há um processo de habilitação de empresas de outros estados, além de Santa Catarina, para exportar miúdos e carne suína com osso para a China. Além disso, o recente reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação amplia a competitividade do país e abre espaço para uma oferta maior de produtos aos chineses.
Ao mesmo tempo, o presidente da ABPA ressaltou que o desempenho brasileiro não depende exclusivamente da China. As Filipinas ganharam protagonismo entre os principais destinos da carne suína nacional, impulsionadas pelas dificuldades do país em reconstruir sua produção após os impactos da peste suína africana. Mesmo mantendo uma produção próxima de 1 milhão de toneladas, o mercado filipino continua necessitando importar entre 700 mil e 800 mil toneladas por ano para atender o consumo interno.
Para Santin, essa diversificação ajuda a explicar a manutenção da posição brasileira no comércio internacional, apesar da retração das compras chinesas. Ele observou que concorrentes tradicionais enfrentam cenários distintos. A União Europeia perdeu espaço na China e registra queda nas exportações para o mercado asiático, enquanto o Canadá também vem reduzindo seus embarques. Já os Estados Unidos seguem ampliando as exportações no acumulado do ano, mesmo com oscilações mensais, sustentados principalmente pela demanda chinesa por produtos complementares.
A ABPA destacou, durante a coletiva, que a produção brasileira de carne suína deverá alcançar em 2026 um volume de até 5,870 milhões de toneladas, número que pode ser até 5% superior ao registrado no ano passado, de 5,592 milhões de toneladas. Já a produção para 2027 poderá atingir até 6,050 milhões de toneladas, volume que seria 3,1% maior frente ao projetado para este ano.
Nas exportações, as projeções apontam para embarques totais neste ano de até 1,6 milhão de toneladas, número 5,9% superior ao alcançado em 2025, com 1,510 milhão de toneladas. Em 2027, as vendas internacionais poderão chegar até 1,7 milhão de toneladas, volume que poderá superar em 6,3% as exportações projetadas para 2026.
Diante deste cenário, a expectativa da ABPA é de que o Brasil consolide sua posição como o terceiro maior exportador mundial de carne suína. Santin também avaliou que o crescimento da produção brasileira deverá ser impulsionado, sobretudo, pela expansão da demanda internacional, reforçando a importância da abertura e da diversificação de mercados para o setor.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
Copyright 2026
Para receber mais informações do agronegócio, acompanhe a Plataforma Safras e nosso site com notícias em tempo real.





