Porto Alegre, 24 de julho de 2026 – Entre os destaques na semana no mercado internacional de café esteve a divulgação do relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a oferta e demanda mundial. O USDA indicou que a produção mundial de café em 2026/27 deverá totalizar um recorde de 189,667 milhões de sacas de 60 quilos, contra 178,830 milhões de sacas na temporada anterior, o que representa um aumento de 6,1%.
O aumento na produção mundial está escorado numa safra brasileira 2026/27 recorde estimada pelo USDA em 71,9 milhões de sacas, com aumento de 14% no comparativo com a safra de 2025/26 (63 milhões de sacas). A safra de arábica brasileira 2026/27 está colocada em 47,5 milhões de sacas e a de robusta/conilon em 24,4 milhões de sacas. Em 2025/26, segundo o USDA, o país colhera 38 milhões de sacas de arábica e 25 milhões de sacas de robusta.
O consumo total de café em 2026/27, segundo o USDA, deverá atingir 179,736 milhões de sacas, contra 173,459 milhões de sacas na temporada anterior 2025/26, aumento de 3,6%. Os maiores incrementos vieram da União Europeia e Estados Unidos, segundo o USDA.
Assim, haverá superávit na oferta de 9,931 milhões de sacas em 2026/27, no comparativo com um superávit de 5,371 milhões de sacas em 2025/26.
Os estoques finais totais de café em 2026/27 deverão atingir 26,283 milhões de sacas, contra 24,370 milhões de sacas em 2025/26.
A safra total do Vietnã está estimada em 2026/27 pelo USDA em 32,5 milhões de sacas (31,7 milhões de sacas em 2025/26). Já a produção da Colômbia em 2026/27 está indicada em 13,4 milhões de sacas (12,5 milhões de sacas em 2025/26). Em quarto lugar no ranking dos produtores vem a Etiópia, com 12,1 milhões de sacas estimadas em 2026/27 (11,56 milhões de sacas em 2025/26), seguida da Indonésia, com previsão de 11,38 milhões de sacas em 2026/27 (12,37 milhões em 2025/26).
Colheita brasileira
Os trabalhos de colheita de café no Brasil ganharam ritmo na última semana, favorecidos pelo predomínio do tempo seco, embora sigam atrasados em relação ao normal para o período. Levantamento de Safras & Mercado indica que, até 22 de julho, 73% da safra brasileira 2026/27 havia sido colhida. O percentual representa um avanço de 9 pontos percentuais em relação à semana anterior. Apesar da aceleração, a colheita permanece atrasada em comparação aos 84% registrados no mesmo período de 2025 e também abaixo da média dos últimos cinco anos (2021–2025), de 78%.
“Embora o avanço dos trabalhos traga um pouco mais de tranquilidade ao mercado, os operadores seguem atentos ao ritmo de secagem e beneficiamento do café. O avanço dessa etapa permitirá uma avaliação mais precisa sobre eventuais ajustes no tamanho da safra e, principalmente, sobre o perfil de qualidade da bebida”, avalia o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach.
A colheita do café canéfora (conilon/robusta) manteve bom ritmo na última semana e já alcança 91% da produção. O percentual continua abaixo dos 96% registrados no mesmo período do ano passado e ligeiramente inferior à média dos últimos cinco anos, de 93%.
Já a colheita do arábica acelerou na última semana e atingiu 63% da produção. Mesmo com o bom avanço, o ritmo segue significativamente atrasado em relação aos 76% registrados no mesmo período de 2025 e ainda abaixo da média dos últimos cinco anos, de 70%. “O avanço da colheita trouxe um pouco mais de tranquilidade ao mercado e aumentou a disponibilidade física. Ainda assim, a oferta permanece aquém do esperado, já que parte significativa do café colhido segue em processo de secagem e beneficiamento”, conclui Barabach.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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