Porto Alegre, 23 de julho de 2026 – A definição da próxima safra de soja em Querência (MT) ainda é cercada por cautela. Embora a expectativa seja de manutenção da área cultivada, produtores acompanham atentamente as previsões climáticas, principalmente em relação à possibilidade de atuação do fenômeno El Niño, que pode atrasar o início do plantio e comprometer a janela ideal da safrinha de milho.
Em entrevista à Agência Safras, o presidente da Cooperativa dos Pioneiros de Querência (Coopquer), Osmar Frizzo, afirmou que o clima é hoje a principal variável observada pelos produtores na preparação para a temporada 2026/27.
“Todo mundo está segurando um pouco em função dessa previsão do El Niño. Se ela se confirmar, muda todo o cenário. Um atraso no plantio da soja compromete diretamente a janela da safrinha de milho”, afirmou.
Apesar das incertezas climáticas, a expectativa inicial é de estabilidade na área destinada à soja, estimada em cerca de 450 mil hectares em Querência. No entanto, o dirigente ressalta que a situação financeira dos produtores pode influenciar essa decisão nos próximos meses.
Ele relata que aumentou a oferta de áreas para arrendamento na região, reflexo da dificuldade enfrentada principalmente por agricultores que trabalham em terras arrendadas.
Para Frizzo, o elevado custo dos insumos e as limitações de acesso ao crédito seguem entre os principais desafios para o planejamento da próxima safra, podendo afetar decisões de investimento caso o cenário econômico não apresente melhora até o início do plantio.
De acordo com Safras & Mercado, a soja no Brasil deve ter um avanço de aproximadamente 1,2% na área plantada, impulsionado principalmente pelos estados do Centro-Oeste, devendo chegar a 49,107 milhões de hectares. A região Sudeste também deve registrar expansão de área, contribuindo para uma expectativa de produção de 180,089 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos 178,3 milhões de toneladas estimados para a safra 2025/26.
A produtividade média projetada no país é de 3.686 quilos por hectare, equivalente a 61,43 sacas por hectare, praticamente estável em relação à safra anterior, que registrou 3.692 quilos por hectare, ou 61,54 sacas por hectare.
De acordo com o analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira, o Mato Grosso mantém uma expectativa de expansão de aproximadamente 1,5% na área cultivada, de 13.180 mil hectares. Ainda segundo ele, o estado também deve ter um rendimento médio de 3.820 quilos por hectare.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
Copyright 2026
Para receber mais informações do agronegócio, acompanhe a Plataforma Safras e nosso site com notícias em tempo real.





