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Preços do boi seguem declinando no Brasil com perspectiva de menor fluxo de embarques para China

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Porto Alegre, 26 de junho de 2026 – O mercado físico do boi gordo voltou a trabalhar com um cenário de pressão nas cotações da arroba ao longo da semana. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos reduziram o ritmo de compra de gado, buscando reorganizar a programação de abates com a expectativa de esgotamento precoce das cotas brasileiras de exportação para a China.

Iglesias sinaliza que até o final de julho a cota de 1,106 milhão de toneladas destinada ao Brasil sem acréscimo de tarifas adicionais pela China deverá estar totalmente preenchida até o final de julho. “Por conta disso, há uma tendência de redução nos abates, o que pode levar os frigoríficos a adotar férias coletivas neste período de maior incerteza quanto ao fluxo de exportação”, avalia.

O analista ressalta que a salvaguarda chinesa vem provocando instabilidade e muita volatilidade no mercado pecuário brasileiro. “Diante de preços pouco atrativos no mercado futuro, a intenção de confinamento passa a apresentar recuos, com relatos de menor ocupação Brasil afora, com um potencial de crescimento menor que o previsto inicialmente, embora ainda maior que o registrado em 2025”, comenta.

Em meio a este cenário, Iglesias projeta que os preços do boi possam vir a ter uma alta bem consistente no último trimestre, por conta da volta da demanda chinesa focando na cota de exportação do Brasil em 2027, da forte procura esperada pelos Estados Unidos e do período auge de demanda no mercado interno. “Com um menor incentivo ao confinamento nesse período para alimentar a crescente oferta e com o alongamento do período de seca no Brasil por conta do El Niño, pode haver uma baixa disponibilidade de animais terminados a pasto. Com a menor oferta, tende a haver uma elevação bem consistente nos preços da arroba”, conclui.

Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 25 de junho:

* São Paulo (Capital) – R$ 340,00 a arroba, baixa de 2,86% frente aos R$ 350,00 registrados no final da semana passada.

* Goiás (Goiânia) – R$ 320,00 a arroba, recuo de 1,54% frente aos R$ 325,00 registrados no final da semana anterior.

* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 320,00 a arroba, retração de 1,54% frente aos R$ 325,00 praticados no fechamento da semana passada.

* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 335,00 a arroba, queda de 2,90% ante os R$ 345,00 registrados no encerramento da última semana.

* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 345,00 a arroba, decréscimo de 1,43% perante os R$ 350,00 praticados no fechamento da semana anterior.

* Rondônia (Vilhena) – R$ 328,00 a arroba, declínio de 2,09% em relação aos R$ 335,00 registrados no encerramento da semana anterior.

Atacado

Iglesias destaca que o mercado atacadista apresentou cotações mais baixas durante a semana. O ambiente de negócios ainda sugere um mercado enfraquecido mesmo em plena Copa do Mundo, considerando uma segunda quinzena de fraca reposição entre atacado e varejo. Na primeira quinzena de julho aumenta a propensão a reajustes, com a entrada dos salários na economia. A carne bovina segue pouco competitiva na comparação com as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango.

O quarto do dianteiro foi precificado a R$ 21,00 por quilo na semana, queda ante os R$ 21,70 por quilo praticados no final da semana passada. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 25,50 por quilo, ante os R$ 27,00 por quilo registrados no encerramento da última semana.

Exportações

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,220 bilhão em junho até o momento (14 dias úteis), com média diária de US$ 87,208 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 187,080 mil toneladas, com média diária de 13,362 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.526,2.

Em relação a junho de 2025, houve alta de 32,8% no valor médio diário da exportação, ganho de 10,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 19,8% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)

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