Porto Alegre, 15 de maio de 2026 – Os trabalhos de colheita da safra 2026/27 de café avançam lentamente no Brasil, especialmente no café conilon. E o ritmo de comercialização também é mais vagaroso, tanto da safra 2026/27 quanto o remanescente de 2025/26.
Levantamento semanal da Safras & Mercado indica que, até 13 de maio, 6% da safra 2026/27 havia sido colhida. O percentual é ligeiramente inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (7%) e também abaixo da média dos últimos cinco anos (20202025), de 9% para esta época do ano.
A colheita do café canéfora (conilon/robusta) está atrasada, com apenas 8% da produção colhida, frente aos 11% registrados no ano passado e aos 15% da média dos últimos cinco anos. O resultado está abaixo do esperado neste início dos trabalhos.
No caso do arábica, os trabalhos seguem em linha com o ano passado, alcançando 4% da produção. Ainda assim, o ritmo atual da colheita permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, de 6% para o período.
COMERCIALIZAÇÃO
Segundo levantamento mensal de Safras & Mercado, até 13 de maio, apenas 16% do potencial produtivo da safra de conilon/robusta 2026/27 havia sido comercializado. O número representa avanço de apenas 2 pontos percentuais em relação ao mês anterior, andamento em linha com o percentual observado no mesmo período do ano passado, mas bem aquém da média dos últimos cinco anos (2021–2025), próxima de 25%.
“As vendas da safra 2026/27 de café no Brasil continuam em ritmo lento, com os produtores priorizando a negociação do café disponível”, destaca o consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach. As vendas de conilon continuam arrastadas e atingem apenas 10% da produção, embora acima de igual período do ano passado (8%), ainda bem abaixo da média histórica de 18% para o período. No arábica, a estimativa preliminar de vendas antecipadas gira em torno de 20% do potencial produtivo, abaixo dos 22% registrados no ano passado e distante da média dos últimos cinco anos (2021–2025), próxima de 29%.
“No caso do arábica, essa postura reflete a ainda grande diferença de preços entre o mercado físico disponível e as indicações de fixação para a safra nova”, conclui.
Da safra 2025/26 colhida ano passado, até 13 de abril, 86% da produção da safra 2025/26 de café havia sido comercializada pelos produtores. O dado confirma um ritmo mais lento de negociação na atual temporada. No mesmo período do ano passado, as vendas alcançavam 96% da produção, enquanto a média dos últimos cinco anos (2021–2025) girava em torno de 94%.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, o interesse do produtor melhorou, mas isso ainda não se traduziu em uma elevação significativa no fluxo comercial de café ao longo do último mês. “A incerteza financeira, refletida na volatilidade das bolsas, resultou em uma postura ainda cautelosa dos vendedores, explicando o ritmo mais cadenciado das negociações”, avaliou.
Lessandro Carvalho / lessandro@safras.com.br
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