O mercado do feijão consolidou, ao longo da semana, um processo de ajuste baixista técnico, marcado por liquidez extremamente reduzida e migração quase total das negociações para o pós-pregão, segundo o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
“A perda de relevância do pregão das madrugadas reforça um ambiente de formação de preços mais tático, baseado em negócios pontuais”, avalia Oliveira.
As indicações de compra para o carioca extra nota 9 recuaram para R$ 360/sc CIF SP, enquanto, para o padrão 8,5, estão em R$ 340/sc, confirmando deslocamento da curva para níveis inferiores. O segmento comercial concentrou o giro, com maior aderência ao consumo, enquanto os padrões superiores enfrentaram dificuldade de escoamento.
“Nas origens, a pressão é disseminada, com grãos intermediários entre R$ 284 e R$ 288/sc FOB Goiás e Paraná”, observa o analista.
A dinâmica segue marcada pelo “efeito contágio” dos grãos defeituosos e pela atuação defensiva dos compradores.
“O mercado opera em duas velocidades, com sustentação seletiva no topo e fragilidade crescente na base”, aponta Oliveira.
Grão preto perde suporte e flerta com novos pisos
Já o feijão preto apresentou deterioração mais acentuada, operando praticamente sem liquidez e com ausência recorrente de compradores.
“A semana foi marcada por um ambiente de inércia comercial, com negócios raros ou inexistentes e preços nominais”, comenta o analista.
A estrutura de preços perdeu consistência, com ampla dispersão e dificuldade de validação, enquanto as origens consolidaram níveis próximos dos pisos, com indicações entre R$ 164/sc FOB Santa Catarina e R$ 197/sc FOB interior paulista.
“A demanda segue retraída, sem urgência de recomposição, e a indústria atua de forma marginal”, observa Oliveira.
Feijão migra de sobra aparente para risco de escassez em 2026/27
O quadro de oferta segue em processo de compressão estrutural, embora ainda não esteja precificado no mercado físico. Ainda de acordo com o analista, a produção nacional na temporada 2026/27 deve recuar para cerca de 2,95 milhões de toneladas, refletindo, principalmente, a forte retração da 1ª safra no Sul.
A 2ª safra, especialmente no Paraná, também confirma queda relevante de área e produção, mesmo com ganhos pontuais de produtividade, enquanto o Norte/Nordeste apresenta expansão insuficiente para compensar o recuo do Centro-Sul.
No Rio Grande do Sul, a colheita avança com impacto climático negativo sobre os volumes. A relação estoque/consumo deve atingir nível crítico, reduzindo a capacidade de amortecimento do sistema.
“O cenário aponta para um mercado estruturalmente mais apertado à frente, com maior sensibilidade a choques e potencial de volatilidade”, conclui o analista.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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