O mercado brasileiro do feijão avança no ano comercial 2026/27 sob um novo regime estrutural, marcado por compressão de oferta e aumento da sensibilidade a choques. O analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, afirma que o sistema já sinaliza um ambiente mais enxuto desde a largada. A oferta total projeta retração de 10,2%, pressionada pela queda na produção (-5,5%) e, principalmente, pelo esvaziamento dos estoques iniciais (-46,3%), que reduzem drasticamente a capacidade de amortecimento do mercado.
A 1a safra se consolida como o principal ponto de ruptura. “A forte contração no Sul, com perdas expressivas de área e produtividade, redesenha o mapa produtivo nacional”, afirma Oliveira. No Nordeste, a recorrência de estresses climáticos intensifica a instabilidade. A 2a safra tende a assumir papel de compensação parcial, com expansão localizada no Norte e Nordeste, mas, segundo o analista, “sem força suficiente para neutralizar a retração estrutural do Centro-Sul”.
No campo da demanda, Oliveira projeta um consumo praticamente estável (-0,7%), porém mais sensível a preço e condicionado ao ritmo do varejo. As exportações devem recuar (-29,8%), reduzindo a válvula de escape do excedente interno.
O indicador crítico passa a ser a relação estoque/consumo, projetada em apenas 2,2%. “Trata-se de um nível tecnicamente apertado, que eleva o risco de disrupções e movimentos abruptos de preço ao longo do ciclo”, destaca o especialista.
Oliveira complementa que os vetores de risco permanecem ativos, como a migração de área por rentabilidade, eventos climáticos extremos, pressão fitossanitária, especialmente da mosca-branca, e a deterioração da qualidade dos grãos.
“Nesse novo cenário, o mercado tende a operar com menor previsibilidade, maior volatilidade e reações mais rápidas a qualquer desequilíbrio entre oferta e demanda, consolidando um ambiente estruturalmente mais sensível e estratégico”, conclui o analista.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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