Porto Alegre, 6 de março de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou a primeira semana de março com um viés altista nos preços, embora a liquidez tenha permanecido restrita em diversas praças. O período foi marcado por uma postura defensiva dos produtores, que priorizaram a colheita e comercialização da soja, resultando em uma oferta interna limitada de cereal de alta qualidade.
“O mercado doméstico segue marcado por uma típica ‘queda de braço’, onde o comprador reconhece o viés altista, mas resiste em antecipar reajustes mais consistentes, enquanto o vendedor retém produto na expectativa de patamares superiores”, disse o analista e consultor de Saras & Mercado, Elcio Bento.
No Rio Grande do Sul, o movimento de recomposição de preços tornou-se mais claro ao longo dos dias; após iniciar a semana com compradores analisando lotes a R$ 1.100,00, as referências de pedida dos vendedores rapidamente se posicionaram em R$ 1.150,00 ou acima. No Paraná, a regionalização dos negócios persistiu, com o norte do estado registrando maior dinamismo e operações ao redor de R$ 1.300,00 FOB, enquanto nos Campos Gerais o foco se deslocou para posições futuras, limitando a oferta imediata.
Conforme Bento, esse ambiente de cautela foi reforçado pelo fato de que os vendedores demonstram menor disposição em negociar nos níveis anteriormente praticados, mantendo o mercado tecnicamente firme, porém com ritmo de negócios moderado.
“Os produtores e detentores de estoque mostram postura mais firme nas pedidas, refletindo a avaliação de oferta interna mais ajustada”, resumiu o analista.
No cenário externo, as bolsas norte-americanas exibiram forte volatilidade durante a semana. Inicialmente, as cotações foram pressionadas por previsões de chuvas benéficas para as lavouras de inverno nos Estados Unidos, mas encerraram o período em forte alta, impulsionadas pelo avanço expressivo do petróleo e pelo acirramento de conflitos no Oriente Médio.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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