O principal vetor do mercado de feijão na semana foi a escassez física anormal para o período, avalia o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira. Os volumes diários foram extremamente reduzidos, variando de 750 a no máximo 4.000 sacas durante as madrugadas, muito abaixo do padrão histórico do pico da safra das águas. A ausência de produto pronto rompeu a sazonalidade típica de janeiro, invertendo a lógica de queda e desencadeando um rali técnico de preços.
“A falta de produto disponível mudou completamente a dinâmica típica deste período do ano”, resume Oliveira.
A estratégia deliberada de retenção funcionou plenamente: vendedores restringiram a oferta física, priorizaram vendas por amostras e adotaram vendas casadas para proteger médias. Compradores capitularam gradualmente, aceitando novos patamares.
No CIF São Paulo, o grão extra nota 9,5 consolidou-se entre R$ 255 e R$ 260 por saca, com testes pontuais em R$ 265 por saca. O produto nota 8 tornou-se protagonista, concentrando liquidez entre R$ 215 e R$ 230 por saca, com registros recorrentes de volumes elevados. Comerciais antes encalhados passaram a girar rapidamente.
No mercado FOB, houve avanço generalizado: Noroeste de Minas Gerais até R$ 245 por saca, Leste Goiano até R$ 238 por saca, Sorriso (MT) entre R$ 208 e R$ 211 por saca, Bahia acima de R$ 230 por saca e Sul do Paraná entre R$ 199 e R$ 205 por saca. O Paraná apresentou um certo “vazio produtivo”, sem volume suficiente para pressionar preços.
O viés técnico dominante segue sendo de alta sustentada, com assimetria positiva e estoques menos confortáveis do que o mercado imaginava.
Preto inicia recuperação após longo período de margens negativas
Já o mercado do feijão preto, por sua vez, entrou em 2026 impulsionado por forte quebra de área e produção. A primeira safra 2025/26 deve entregar menos de 50% do ciclo anterior, com o Paraná abaixo de 104 mil hectares e produção total estimada inferior a 190 mil toneladas. Os estoques ainda preocupam, mas o aumento das pedidas pelo grão recém-colhido, juntamente com a forte alta do carioca, tem contribuído para a recuperação das cotações dessa variedade.
“Os preços vinham excessivamente comprimidos e passaram por um ajuste técnico necessário”, observa o analista.
Os preços passaram por reprecificação técnica, com o produto ainda subprecificado em dólar, abaixo de US$ 30 por saca, frente a uma média histórica próxima de aproximadamente US$ 40 por saca, reforçando a necessidade de correção.
No CIF São Paulo, os padrões superiores oscilaram de R$ 165 a R$ 170 por saca, evoluindo rapidamente para R$ 190 a R$ 200 por saca nos lotes beneficiados e maquinados, estes últimos com prêmio claro. O patamar de R$ 200 por saca tornou-se referência nominal e, em casos pontuais, efetiva.
No campo, produtores recusaram entregar aos antigos R$ 130 por saca. No mercado FOB, o grão novo consolidou R$ 150 por saca no Paraná, R$ 167 por saca no interior paulista e R$ 152 por saca no Sul do Paraná, com o Oeste Catarinense tentando firmar negócios em R$ 150 por saca.
Observou-se hiato entre granel e beneficiado, refletindo capitalização das indústrias, e não fraqueza estrutural. A demanda ainda é moderada, mas há expectativa de aceleração com o retorno das compras institucionais e o fim do período de férias.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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