Logo (4)
COTAÇÕES
Dólar
Euro

2026 marca início do realinhamento estrutural da cadeia produtiva do arroz

Arroz

Links deste artigo

Porto Alegre, 2 de janeiro de 2026 – Embora a oferta de arroz gradualmente venha sendo reduzida, o lastro dos estoques remanescentes ainda segura o mercado no início de 2026. “Este cenário, típico de um ciclo de transição, acaba retardando o reflexo real do ajuste nas cotações”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

 

A redução nacional da área plantada (-11,5%) e o recuo da produção (-13,7%) representam o maior movimento defensivo dos produtores desde a crise de preços iniciada em 2025, com cortes particularmente profundos em áreas de sequeiro — Centro-Oeste (-22,3%) e Norte/Nordeste (-20%) — consolidando a migração parcial para culturas alternativas e confirmando o desincentivo estrutural ao plantio em regiões de maior risco. “A produtividade ajusta-se para baixo (-2,5%), retornando a patamares mais próximos da média histórica após os desempenhos excepcionalmente altos da temporada anterior e refletindo restrições tecnológicas e financeiras decorrentes da descapitalização generalizada”, pondera.

 

No curto prazo, o vetor dominante segue sendo os elevados estoques de passagem, que funciona como amortecedor da queda de oferta e impede movimentos altistas mais significativos. “A combinação entre estoques altos e recuperação lenta da liquidez pós-recessos tende a manter o mercado nominalizado, com maior presença vendedora na segunda quinzena de janeiro por necessidade de caixa, fator que limita qualquer repique inicial”, frisa Oliveira.

 

A expectativa de câmbio sustentado entre R$ 5,50 e 5,60 reforça o protagonismo das exportações, que permanecem como o principal mecanismo de sustentação dos preços e elemento central para absorção gradual do excedente. Segundo o analista, o setor estabelece como ambição implícita transformar embarques da ordem de 2 milhões de toneladas em uma tradição recorrente, enquanto reivindicações estruturais — ICMS, fretes, burocracia, seguro — avançam de forma lenta, contribuindo marginalmente para redução do “Custo Brasil”, mas sem alterar o quadro de baixa competitividade imediata. Para a indústria, o trimestre inicial permanece restritivo: margens comprimidas, originação lenta, ociosidade elevada e reposição cautelosa enquanto o mercado não sinaliza inflexão consistente.

 

“O início da transição estrutural é aguardado no começo do segundo semestre, com o avanço da entressafra, o impacto real da redução produtiva tende a ganhar peso na formação de preços, desde que exportações se mantenham firmes e importações recuem sob influência do câmbio ou de barreiras competitivas regionais — cenário no qual o Paraguai permanece como variável crítica de observação”, prevê o consultor. A disponibilidade total se reduz à medida que os estoques começam a ceder, e a indústria pode iniciar recomposição seletiva quando identificar sinais mais claros de reversão de tendência.

 

A recuperação, contudo, tende a ser gradual, não explosiva: consumo doméstico estagnado limita o ritmo da valorização, e a normalização do balanço oferta e demanda requer tempo e muita disciplina. Persistem riscos relevantes: manutenção de margens negativas pode levar a novos cortes de área em 2026/27, caso a precificação não avance de forma suficiente; simultaneamente, elasticidade da demanda ao preço será determinante para avaliar a capacidade de sustentação da recuperação ao longo do segundo semestre.

 

No horizonte a partir de setembro, conforme Oliveira, um cenário de maior equilíbrio torna-se plausível, embora não garantido. A relação produção/consumo aproxima-se estruturalmente (10,79 mi de t vs. 10,5 mi de t), e a redução progressiva do excedente reduz a dependência de intervenções governamentais e operações compulsórias de escoamento. Estoques terminam o ciclo ainda elevados, mas com perspectiva de queda gradual — movimento que, caso consistente, pode reposicionar o mercado para 2027 como o primeiro ano em que oferta menor, exportações estruturadas e consumo estabilizado convergem para um patamar mais saudável de preços.

 

Políticas públicas continuam relevantes: revisão dos preços mínimos torna-se determinante para orientar decisões de área e mitigar riscos de nova retração produtiva. “Contudo, gargalos logísticos, custo de frete, competitividade externa e infraestrutura continuam limitadores diretos da capacidade de captura de valor, mantendo o Brasil atrás de concorrentes como Paraguai, Uruguai, Argentina e, principalmente, os Estados Unidos em termos de eficiência”, finaliza o consultor.

 

Rodrigo Ramos/ Agência Safras News

 

Copyright 2025 – Grupo CMA

 

Compartilhe

  • Deixe uma resposta
    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *
PLATAFORMA SAFRAS

RELACIONADOS

  • Todos
  • Açúcar
  • Açúcar e Etanol
  • Agenda da Semana
  • Agricultura de Precisão
  • Agronegócio
  • Algodão
  • Arroz
  • Biodiesel
  • Blog Açúcar
  • Blog açúcar e etanol
  • Blog Agricultura de Precisão
  • Blog Algodão
  • Blog Arroz
  • Blog Biodiesel
  • Blog boi
  • Blog Café
  • Blog clima
  • Blog Feijão
  • Blog Fertilizantes
  • Blog Frango
  • Blog Milho
  • Blog Plataforma Safras
  • blog safras
  • Blog Soja
  • blog suíno
  • Blog Trigo
  • Boi
  • Café
  • Clima
  • Destaque
  • Economia
  • Economía
  • Empresas
  • Empresas
  • Feijão
  • Fertilizantes
  • Financeiro
  • Frango
  • Mercado
  • Milho
  • Plataforma Safras
  • SAFRAS Podcast
  • SAFRAS TV
  • Sem categoria
  • Social BR
  • Social Latam
  • Soja
  • Suíno
  • Trigo

Ganhe uma visão uniforme e aprofundada do agronegócio com a Plataforma Safras: acesse análises, preços comerciais, fretes, paridades, estatísticas, indicadores, notícias, gráficos e baixe relatórios em um único lugar!

TUDO SOBRE O AGRONEGÓCIO

 GLOBAL EM UM SÓ LUGAR

Ver Pacotes
Group 139 1

CADASTRE SEU E-MAIL E FIQUE POR DENTRO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O AGRONEGÓCIO.

Cadastrar