Porto Alegre, 19 de janeiro de 2026 – A atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) deve manter um cenário de chuvas persistentes sobre grande parte do Brasil nas próximas semanas, com impacto direto sobre o andamento da colheita e do plantio nas principais regiões produtoras. Segundo o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, trata-se de uma frente fria estacionária posicionada sobre a região central do país, capaz de gerar elevados volumes de precipitação.
“Os acumulados previstos para os próximos cinco dias já indicam volumes expressivos desde o Amazonas, passando por Rondônia, Mato Grosso e Goiás, avançando também sobre Minas Gerais e parte do Sudeste. Em algumas áreas do Sul e Sudoeste de Goiás, os volumes tendem a ser menores, já que o eixo do sistema permanece um pouco mais ao norte”, disse.
A previsão indica que esse padrão de instabilidade deve se manter ao longo de toda a segunda quinzena de janeiro. É um período que pode, sim, trazer altos volumes de chuvas e atrapalhar bastante o andamento da colheita, alertou Santos. Entre os dias 24 e 28, já próximo à virada do mês, as projeções continuam apontando chuvas frequentes sobre a faixa central e norte do Brasil.
Tanto o modelo europeu quanto o americano convergem para um cenário de tempo fechado e persistente nessas regiões. O agrometeorologista reforçou o alerta para produtores que estão em fase de colheita ou se preparando para o plantio na sequência.
Enquanto o centro e o norte do país enfrentam excesso de chuvas, o Sul segue com volumes mais limitados neste momento. Há previsão de poucas precipitações para Mato Grosso do Sul, Paraguai, Argentina, Uruguai e parte do Sul do Brasil, além do interior de São Paulo, embora ocorram pancadas isoladas. Ainda assim, Santos ressalta que as chuvas na região central ocorrem de forma quase diária, muitas vezes concentradas no fim da tarde, o que pode reduzir as janelas de trabalho no campo. “Pode acarretar algumas horas do dia sem colheita, mas a tendência é realmente de muitas chuvas e tempo mais fechado”, afirma.
As imagens de satélite reforçam esse cenário, com a presença contínua de linhas de instabilidade sobre a faixa central do país e a formação de novos sistemas avançando do Norte do Paraguai e Sul da Bolívia em direção ao Brasil. Apesar disso, as temperaturas seguem elevadas no Sul durante os períodos de menor precipitação.
“No horizonte mais próximo, o cenário para a região Sul tende a melhorar. As projeções semanais indicam condições relativamente favoráveis, com atenção maior apenas para a metade sul do Rio Grande do Sul e áreas do Uruguai. Já nos primeiros dias de fevereiro, a expectativa é de retorno das chuvas ao Sul do Brasil, com volumes mais bem distribuídos”, destacou o especialista.
Santos conclui ressaltando que, mesmo que o padrão climático aponte para um verão chuvoso em grande parte do país e isso traga desafios operacionais para a colheita e para o plantio, ele segue sendo positivo para o desenvolvimento das lavouras.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Safras News)
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