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XP mantém cautela e atualiza projeções para São Martinho, Jalles Machado e Raízen

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São Paulo, 5 de fevereiro de 2026 – A XP reitera a sua postura cautelosa em todos os players de Açúcar & Etanol sob sua cobertura, diante da expectativa de um cenário desafiador para estes players, em relatório divulgado hoje. A análise atualiza a avaliação de oferta e demanda, as projeções para os resultados trimestrais, avaliações e preços-alvo para os players do setor sob sua cobertura (São Martinho, Jalles Machado e Raízen).

“As perspectivas de valuation e geração de fluxo de caixa livre devem permanecer limitadas, o que levou o setor a ficar em segundo plano, além das idiossincrasias de cada tese, especialmente no caso de Raízen, para a qual entendemos que o case continua totalmente dependente de venda de ativos/capitalização e, portanto, de uma potencial redução da alavancagem”, comentou.

A análise aponta expectativa de que uma safra melhor no Brasil deverá pressionar ainda mais os preços. Após uma temporada difícil em 2025-2026, os analistas da XP projetam uma moagem de cana-de-açúcar do Centro-Sul na safra 2026-2027 de 623 milhões de toneladas, um aumento de 2,5% em relação ao ano-safra anterior, impulsionada tanto por maior tonelada de cana por hectare (TCH) quanto por açúcar total recuperável (ATR), o que deve ser positivo para os custos caixa unitários das companhias.

“Embora os rendimentos estejam encorajadores, a combinação de: (i) superávit global de açúcar (ii) maior disponibilidade total de ATR no Brasil; (iii) baixo nível de vendas futuras de açúcar (iv) perspectiva baixista para os preços do petróleo; e (v) aumento da produção de etanol de milho deve continuar pressionando os preços, em nossa visão. O mix açúcar/etanol é a principal questão e o ponto-chave a ser acompanhado, uma vez que esperamos que as companhias ajustem finamente a produção de açúcar e etanol de acordo com preços e margens”, escreveram os analistas, em relatório a clientes.

Prévias de resultados do 3T26 e projeções

Os analistas da XP esperam um trimestre neutro para todas as ações do setor. São Martinho e Jalles devem reportar resultados fracos devido a menores volumes e aumento dos custos caixa unitários. Para Raízen, o principal destaque deve ser o desempenho positivo das margens de distribuição de combustíveis.

A São Martinho será a primeira a divulgar seu resultado do terceiro trimestre do ano safra 2025-2026, no dia 9 de fevereiro. Raízen e Jalles Machado divulgam seus resultados do 3T26 no dia 12 de fevereiro.

São Martinho

Para a São Martinho, a XP ajustou suas estimativas e aumentou o preço-alvo. A avaliação tem foco no potencial de expansão do etanol de milho, que mais do que compensa a sua visão baixista de curto prazo para o negócio de cana-de-açúcar. “Do ponto de vista setorial, seguimos esperando que o etanol à base de milho ganhe participação em relação ao etanol à base de cana-de-açúcar nos próximos anos, em função de sua maior competitividade. Embora ainda seja cedo para afirmações categóricas, acreditamos que os players menos competitivos da cana-de-açúcar devam reduzir escala nos próximos anos, o que deve beneficiar, no longo prazo, um player de primeira linha como a São Martinho”, comenta.

No entanto, a geração de fluxo de caixa livre da empresa deve permanecer constrangida no curto prazo devido a fundamentos desafiadores e aos investimentos em etanol de milho, pressionando adicionalmente a sua alavancagem e o seu valuation. Como resultado, a XP espera uma inversão na geração de fluxo de caixa livre apenas em 2028/29, quando a expansão do etanol de milho deverá atingir aproximadamente 85% da capacidade total.

Em relação aos resultados do 3T26, a XP projeta uma queda de 6% na receita líquida, em base anual, uma vez que preços mais baixos do açúcar e volumes de Açúcar & Etanol devem compensar preços mais elevados do etanol espera que a companhia maximize as vendas do segundo semestre no 4T. A XP projeta ebit e ebitda ajustado em quedas anuais de 36% e 21%, respectivamente, como resultado de custos caixa unitários mais elevados, decorrentes de menor diluição de custos.

Com a ação negociando a um multiplo de cerca de 16,8 vezes EV/EBIT para 26/27, a XP mantém a recomendação neutra para o papel.

Raízen

Para a Raízen, a XP rebaixou a recomendação do papel RAIZ4 de compra para neutro e reduziu o preço-alvo, em função do aumento do risco de alavancagem, incluindo as previsões para os resultados do 3T26 e atualização das estimativas.

A XP ressalta que, nos trimestres anteriores, a Raízen reportou resultados em recuperação apesar dos desafios no negócio de Açúcar e Etanol, impulsionados principalmente pelo forte desempenho da unidade de distribuição de combustíveis no Brasil, e espera que essa tendência continue. “Nos últimos anos, a tese de Raízen tornou-se cada vez mais complexa e, em nossa visão, mais arriscada. No curto prazo, continuamos a projetar queima de caixa e um consequente aumento da alavancagem, mesmo após as iniciativas positivas de reciclagem de portfólio. Os resultados recentes também têm sido encorajadores, particularmente impulsionados pela melhora de margens nas operações de distribuição de combustíveis no Brasil, além de reduções em SG&A e Capex”, explica a XP.

“Ainda assim, acreditamos que as ações dificilmente deverão negociar com base em fundamentos enquanto o mercado aguarda maior clareza sobre vendas adicionais de ativos e/ou injeções de capital, bem como sobre a consequente desalavancagem do balanço.”

No consolidado, a XP projeta receita líquida em queda de 6%, na comparação anual, e ebitda ajustado de R$ 3,6 bilhões, alta de 17% na mesma base comparativa, refletindo margens melhores de forma generalizada.

Jalles Machado

Para a Jalles Machado, a XP mantém a recomendação de compra para a ação e reduz o preço-alvo, para refletir, principalmente: (i) o ritmo de ramp-up mais lento do que o antecipado da usina Santa Vitória (SVA); (ii) resultados mais fracos do que o esperado em Jalles Machado (JAL) e Otavio Lage (UOL); e (iii) fundamentos mais fracos de Açúcar & Etanol.

“Após um ano difícil, marcado por adversidades climáticas que levaram a Jalles a apresentar desempenho inferior a um setor já fragilizado, esperamos uma melhora de resultados na próxima safra com base em comparações fáceis. Ainda assim, estamos reduzindo nossas estimativas de ebitda ajustado e ebit ajustado em 2026-27 para 21% e 7%, respectivamente”, detalha.

Em relação aos pares, XP considera que a estratégia assertiva de hedge da Jalles (75% do açúcar disponível hedgeado para 26/27 a preços cerca de 20% acima dos níveis atuais) deve levar a um desempenho relativo superior.

Para o resultado do 3T26, os analistas da XP esperam que o aumento dos preços do etanol não seja suficiente para compensar os menores volumes, decorrentes da menor disponibilidade de produtos e dos preços mais baixos do açúcar. Nesse contexto, projetam uma queda anual de 28% na receita líquida da empresa. Combinado a custos caixa unitários mais elevados, em função de menor diluição de custos, também estima que o ebitda ajustado e o ebit ajustado recuem 14% e 40%, respectivamente.

“Mantivemos a recomendação de compra para a ação em função do potencial de upside de longo prazo decorrente do ramp-up da SVA. No entanto, diante de fundamentos setoriais desafiadores, estimamos que a geração de FCF e o Valuation permaneçam constrangidos nos próximos anos”, conclui a análise.

Recomendações

A XP mantém as recomendações de compra para Jalles Machado (JALL3), e subiu o preço-alvo de R$ 9,50 para R$ 4,10, e neutra para São Martinho (SMTO3), aumentando o preço-alvo para R$ 14,80 (de R$ 13,90). A Raízen (RAIZ4) foi rebaixada de compra para neutro e reduziu o preço-alvo para março de 2027 para R$ 1,10 (de R$ 2,40).

Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)

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