Porto Alegre, 02 de janeiro de 2026 – 2025 foi um ano bastante positivo para os produtores de café. No geral, os cafeicultores souberam administrar as vendas de forma escalonada, aproveitando janelas favoráveis de comercialização. Mas 2026 chega trazendo a perspectiva de possíveis baixas nos preços, sobretudo nas bolsas, diante especialmente de uma safra melhor de arábica esperada no Brasil.
Ainda assim, segue uma tendência de muita volatilidade, de altos e baixos, de limitação para as quedas, e de momentos favoráveis para os produtores se mantiverem esse comportamento de aproveitar os períodos para negociação.
Segundo o consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, a limitada disponibilidade de arábica deve continuar trazendo volatilidade e oferecendo sustentação ao mercado físico, ajudando a conter pressões baixistas. “No entanto, a aproximação da safra 2026, aliada à expectativa de uma produção maior de arábica, reforça um viés mais negativo para os preços, sobretudo nas bolsas, com reflexos também no mercado doméstico. Atenção redobrada e, se necessário, ajuste na estratégia de venda”, comenta o consultor.
No curto prazo, para Barabach, o mercado de café tende a seguir sensível ao ritmo de embarques e à gradual melhora do abastecimento global, com expectativa de avanço das safras e dos volumes embarcados de importantes origens, além da retomada do fluxo de café brasileiro para os Estados Unidos. “O adiamento do EUDR para o final de 2026 também favorece o fluxo de compras. Já no médio e longo prazo, o fator determinante é o tamanho da próxima safra brasileira de arábica”, destaca.
Diferentemente do arábica, avalia o consultor de Safras, ainda há volume expressivo de conilon nas mãos dos produtores, além do fato que a colheita de robusta inicia ante que o arábica. “O conilon brasileiro perdeu competitividade no mercado externo, enquanto a indústria de torrado e moído doméstica opera em situação mais confortável de abastecimento. Esse cenário exige atenção redobrada na transição entre as safras e no fluxo de vendas”, conclui Barabach.
O cenário vai depender fundamentalmente do quanto o Brasil vai produzir em 2026, sobretudo para o arábica. As expectativas em torno da safra, com o acompanhamento do clima, até a colheita, devem trazer bastante volatilidade ao mercado internacional. O final de 2025 foi de preocupações com as altas temperaturas em diversas regiões do cinturão cafeeiro do país, com chuvas ainda irregulares em algumas áreas, gerando apreensão com queda no potencial produtivo.

