Porto Alegre, 26 de agosto de 2026 – A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quarta-feira (26) em forte alta, superior a 6%. O mercado disparou diante do agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia e das interrupções nas exportações de grãos pelo Mar Negro, com gargalos nos portos ucranianos e problemas nos embarques russos ampliando as preocupações com a disponibilidade global de trigo.
O cenário geopolítico ganhou ainda mais peso diante das informações de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, planeja intensificar os ataques à Ucrânia após concluir que as negociações para alcançar um acordo de paz chegaram a um impasse. Segundo o Financial Juice, Moscou avalia realizar ataques mais pesados com mísseis balísticos convencionais contra Kiev, incluindo o centro da cidade, e contra alvos de infraestrutura em outras cidades ucranianas.
Na Ucrânia, até 70 navios aguardam nas proximidades do Canal de Sulina, no Danúbio, para acessar os portos do país e carregar grãos. A falta de práticos, a prioridade para cargas como combustíveis e os frequentes alertas aéreos atrasam as operações. Os portos ucranianos do Mar Negro, responsáveis por cerca de 90% das exportações de grãos, foram praticamente bloqueados por ataques russos, desviando parte dos embarques para o Danúbio, onde apenas dois a três navios por dia conseguem atravessar o canal.
Do lado russo, aumentaram as preocupações com uma interrupção prolongada dos embarques. Os reparos no NKHP, um dos três terminais de grãos de Novorossiysk, principal porto de exportação da Rússia no Mar Negro, podem levar até quatro meses. A informação reduziu as expectativas de que iniciativas diplomáticas e medidas russas para estimular as exportações possam aliviar rapidamente os problemas logísticos.
A SovEcon reduziu em mais 300 mil toneladas sua estimativa para as exportações russas de trigo em agosto, para 1,9 milhão de toneladas. Segundo a consultoria, medidas propostas pela Rússia, incluindo uma suspensão temporária das tarifas de exportação, dificilmente ofereceriam suporte significativo aos embarques enquanto persistirem os problemas logísticos no Mar Negro e no Mar de Azov. Nesse cenário, o trigo tende a se acumular dentro da Rússia, enquanto a menor disponibilidade russa oferece suporte aos preços globais.
As cotações também renovaram máximas durante a sessão. Segundo a Reuters, o trigo chegou ao maior patamar desde julho de 2023, superando a máxima de dois anos registrada na segunda-feira.
Os contratos com entrega em dezembro fecharam cotados a US$ 7,48 1/4 por bushel, com alta de 45,00 centavos de dólar, ou 6,39%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em março encerraram a US$ 7,65 1/4 por bushel, com avanço de 44,00 centavos de dólar, ou 6,10%.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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