São Paulo, 24 de fevereiro de 2026 – No primeiro mês de 2026, o saldo da carteira de crédito total deve crescer 0,2%, mantendo o ritmo de expansão na casa de dois dígitos, em 10,4%, depois de fechar 2025 em 10,2%. É o que mostra a Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), feita com base em dados consolidados dos principais bancos do país, e divulgada mensalmente como uma prévia da Nota de Crédito do Banco Central.
Em janeiro, o crescimento deve ser liderado pela carteira destinada às famílias, com crescimento de 0,9%. A carteira com recursos livres deve subir 1,0%, com destaque para as linhas rotativas, refletindo a sazonalidade do período, caracterizado por obrigações extras de início de ano (IPTU, IPVA, entre outros), que mais do que compensam a queda do saldo do cartão à vista no mês. Ainda assim, ficará abaixo do crescimento de 1,4% de janeiro de 2025. Com isso, a carteira em 12 meses deve registrar ligeira desaceleração, caindo de 13,2% para 12,8%, embora em nível ainda elevado.
Já a carteira destinada às famílias com recursos direcionados deve avançar 0,8% no mês, beneficiada pelas renegociações no crédito rural e certo dinamismo do habitacional, com expansão anual de 9,4% (ante +9,6%).
A carteira destinada às empresas deve cair 1,1% no mês, em função do desempenho negativo dos recursos livres (-2,3%), que normalmente recuam no início do ano, reflexo da menor utilização de linhas de desconto de recebíveis e antecipação de faturas de cartão, dado o menor nível de atividade no mês, especialmente do varejo (ante dezembro). Este recuo deve ser mais contido do que o observado em janeiro de 2025 (-3,2%) e levar a carteira Livre PJ a acelerar de 2,3% para 3,3%, mas ainda em baixo nível.
A pesquisa aponta ainda que a carteira com recursos direcionados deve crescer 0,8% no mês, novamente impulsionada pelos programas de crédito governamentais para as MPMEs, mantendo uma expressiva expansão do segmento em 12 meses (+18,7%; ante 18,4%).
A pesquisa aponta que o ritmo de expansão do crédito segue elevado, apesar da política monetária em nível bastante contracionista. O crescimento da carteira total tem se mantido no patamar de dois dígitos, sustentado pelos programas governamentais (PJ Direcionado) e linhas voltadas ao consumo para as famílias (PF Livre), avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
O ponto de atenção se mantém com a composição da carteira, que aparentemente segue impulsionada por linhas de maior risco no caso das famílias, o que naturalmente leva a uma preocupação com o comportamento da inadimplência complementa o diretor.
Concessões
As concessões de crédito devem apresentar queda mensal de 15,2% em janeiro se comparada com dezembro. Ajustando por dias úteis, a queda das concessões foi de 11,2% no mês, bastante disseminada entre as linhas. Isso se deve à sazonalidade esperada na comparação entre janeiro e dezembro, mês tipicamente de menor atividade econômica.
Na comparação com janeiro de 2025 (por dias úteis), que elimina efeitos sazonais, as concessões devem crescer 18,6%. Essa alta é liderada pelas linhas com recursos direcionados destinadas às empresas, em função da continuidade do elevado patamar das concessões de crédito dos programas governamentais e com recursos do BNDES.
De toda forma, no geral, as concessões das principais linhas devem seguir em crescimento nesta métrica, exceto no crédito rural, modalidade que segue com menor dinamismo em função do aumento da inadimplência no setor.
No acumulado em 12 meses, o ritmo de crescimento das concessões totais voltou a acelerar, revertendo uma sequência de 9 meses em desaceleração, passando de 9,1% para 9,3% em janeiro, movimento observado tanto na carteira PF quanto PJ.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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