Porto Alegre, 6 de fevereiro de 2026 – O mercado do feijão carioca encerra a primeira semana de fevereiro em ponto máximo de tensão técnica, após romper de forma definitiva a barreira dos R$ 300 por saca CIF São Paulo. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o movimento foi sustentado não por expansão da demanda, mas pela ausência quase total de excedentes físicos, especialmente nos padrões de melhor qualidade.
A escalada de preços foi rápida e vertical, levando o mercado a migrar para um modelo defensivo, baseado em vendas casadas e embarques futuros, o que esvaziou o pátio da Bolsa e reduziu drasticamente a oferta de pronta entrega. “A qualidade tornou-se o principal vetor de formação de preço, em um ambiente onde o disponível praticamente desapareceu”, observa Oliveira.
Chuvas em Minas Gerais elevaram o índice de defeitos, tornando raros os lotes limpos e com escurecimento lento, que passaram a capturar prêmios elevados. Como resultado, os preços se reorganizaram em uma nova escada: grão nota 9 EL negociado até R$ 340 por saca CIF São Paulo, pedidas de R$ 350 por saca para 9,5 EL, e valorização generalizada até dos padrões intermediários.
Apesar da firmeza nas origens, o mercado entrou em fase de digestão das altas. A demanda atua com cautela extrema, o varejo começa a sinalizar dificuldade de repasse e o risco agora não é de correção imediata, mas de esgotamento técnico caso o consumidor final não absorva os novos preços. “Ainda assim, a perspectiva de redução de área também na segunda safra 2025/26 mantém o viés estruturalmente firme”, complementa o especialista.
Retenção de oferta e disparada do carioca sustentam cotações do feijão preto
O mercado do feijão preto apresentou comportamento distinto ao longo da semana, operando em fase de estabilidade técnica, com preços elevados, porém sem impulso comprador relevante. A sustentação ocorre quase exclusivamente pelo controle da oferta nas mãos do produtor, especialmente no Paraná, onde a forte redução de área limita a disponibilidade e impede movimentos de baixa.
Oliveira afirma que a demanda mostrou-se retraída, com grandes empacotadoras já abastecidas diretamente na origem, o que reduziu a liquidez no mercado spot e alongou prazos. Mesmo assim, os preços se consolidaram em patamares elevados no atacado, sobretudo para o produto beneficiado, que segue capturando prêmio relevante frente ao granel.
O diferencial de preços frente ao carioca abriu espaço para movimento de substituição, especialmente em cestas básicas e contratos sensíveis a custo, criando um piso adicional de sustentação. O analista conclui que com o importado fora de competitividade e a liberação de volumes ocorrendo de forma fracionada, “o mercado permanece travado, firme e seletivo, à espera de melhora na qualidade da oferta para reativar os negócios”.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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