São Paulo, 1 de junho de 2026 – O mercado financeiro internacional inicia a semana ainda de olho no desenrolar das conversar entre Estados Unidos e Irã em busca de um acordo para o conflito no Oriente Médio. Se as notícias do final de semana impulsionaram o petróleo e títulos do tesouro americano, as bolsas focam no bom desempenho do setor IA e sobem. No Brasil, os mercados devem seguir o desempenho externo.
Internamente, o mercado avalia o relatório Focus e segue de olho no conturbado cenário político. Duas frentes merecem atenção: a consolidação do quadro de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas pesquisas e os efeitos da decisão americana de considerar PCC e CV como facções terroristas. Oposição e governo avaliam como faturar politicamente em cima da decisão.
Os mercados acionários globais operaram próximos de máximas históricas nesta segunda-feira, sustentados pelo forte entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA), enquanto investidores monitoram novos confrontos entre Estados Unidos e Irã e seus impactos sobre os preços da energia.
O movimento ocorreu apesar do aumento das tensões no Oriente Médio após a confirmação de novos ataques americanos contra alvos iranianos e da resposta militar de Teerã. Além disso, o Kuwait informou ter ativado sistemas de defesa aérea após interceptar ataques com mísseis e drones.
Já o petróleo reagiu ao cenário geopolítico e registra altas acima de 3%. A alta da commodity voltou a pressionar os mercados de renda fixa, diante do risco de novos choques inflacionários, informa a agência Reuters.
A agenda econômica da semana inclui discursos de diversos dirigentes do Federal Reserve e a divulgação do relatório oficial de emprego (payroll) de maio na sexta-feira. A expectativa é de criação de 85 mil vagas de trabalho, com manutenção da taxa de desemprego em 4,3%. Atualmente, os mercados atribuem aproximadamente 50% de probabilidade a uma elevação dos juros americanos até o final do ano.
Focus eleva inflação
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus elevaram de 5,04% para 5,09% a previsão para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. Para 2027, as instituições financeiras elevaram de 4,01% para 4,02% a previsão para a inflação medida pelo IPCA.
As instituições elevaram de 1,89% para 1,90% a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A projeção para 2027 ficou estável em 1,70%.
A pesquisa manteve em 13,25% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. Atualmente, ela está em 14,50%, o que significa que o mercado espera um corte de 1,25 ponto porcentual (pp) até o final do ano. Há quatro semanas, a estimativa para a Selic ao fim de 2026 estava em 13,00%. Para 2027, a estimativa para a taxa Selic manteve-se em 11,25%.
A projeção para a taxa de câmbio em 2026 diminuiu de R$ 5,17 para R$ 5,16 por dólar, enquanto a estimativa para 2026 caiu de R$ 5,26 para R$ 5,25 por dólar. Há quatro semanas, a previsão para 2026 era de R$ 5,25, enquanto a previsão para 2026 estava em R$ 5,30.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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