Porto Alegre, 23 de setembro de 2026 – Nesta quarta-feira, as atenções do mercado externo estão voltadas para a continuidade da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York e o temor sobre uma nova alta de juros nos Estados Unidos. No cenário doméstico, em dia de agenda esvaziada, as atenções estão voltadas a divulgação de novas pesquisas eleitorais para presidente da República e ao impasse no Supremo Tribunal Federal com relação ao andamento dos pedidos de investigação contra André Mendonça e Alexandre de Moraes.
No quadro internacional, o movimento de queda do petróleo, que ganhou força depois que Donald Trump revelou que Steve Witkoff e Jared Kushner haviam se reunido por três horas com representantes iranianos, à margem da Assembleia Geral da ONU, classificando as conversas como “muito produtivas”, acabou perdendo força, com a retomada do movimento de alta.
No âmbito econômico persiste o temor de que o Federal Reserve possa indicar um novo movimento de alta na taxa de juros dos Estados Unidos em outubro. De Acordo com a BDM, o CME indicou que a probabilidade de aumento de 25 pontos-base na próxima reunião subiu para 54,2%, contra 45,8% de manutenção. Há uma semana, o quadro era inverso: 53% apostavam em estabilidade e 43,5% em alta. Para dezembro, apenas 10,8% ainda projetam manutenção dos juros no nível atual. As apostas se dividem entre uma alta acumulada de 25 pontos-base, com 47,8%, e de 50 pontos-base, com 41,4%. Thomas Barkin (Richmond) disse que a inflação é hoje o lado mais problemático do duplo mandato e que os riscos para a estabilidade de preços superam os riscos para o emprego, justificando a alta de 25 pontos-base promovida pelo Fed na semana passada. … Barkin lembrou que a inflação está acima da meta de 2% há mais de cinco anos e destacou que mais de 60% dos componentes do PCE avançam acima de 3% em 12 meses.
Na Assembleia Geral da ONU, após a abertura realizada ontem que contou com falas do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e dos Estados Unidos, Donald Trump, as atenções se voltam para o discurso do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sob atenção após a retomada das negociações entre Washington e Teerã.
No Brasil, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, aguarda o posicionamento do ministro Flavio Dino com relação aos casos envolvendo Mendonça e Moraes.
No trade eleitoral, pesquisa divulgada há pouco pela Atlas apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a liderar as intenções de voto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial, embora os candidatos permaneçam em empate técnico.
De acordo com a apuração, segundo a Agência Reuters, Lula obteria 47,7% dos votos, ante 46,8% da pesquisa anterior, enquanto Flávio teria 47,4% das intenções ante 47,2%. A margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, marcando assim empate técnico entre os candidatos.
Em um cenário de primeiro turno, Lula segue liderando com 45,8% das intenções de voto, ante 44,1% na pesquisa anterior, seguido por Flávio, que somou 43,4% das intenções frente a 41,7% registrados na pesquisa anterior. A seguir aparece Renan Santos (Missão), com 4,5%, enquanto os demais candidatos não alcançaram mais de 3% das intenções de voto.
No âmbito econômico doméstico, o Ministério da Fazenda divulgou ontem uma atualização dos dados macroeconômicos, com reduções de 2,3% para 2% da projeção do PIB em 2026 e de 5,1% para 4,9% na estimativa para o IPCA, ainda acima do teto da meta, de 4,5%. Para 2027, a previsão do PIB caiu de 2,5% para 2,3% e a de inflação subiu de 3,6% para 3,8%, diante dos efeitos do El Niño sobre os alimentos. Conforme a BDM, a Fazenda vê perda de fôlego da atividade no segundo semestre e avalia que os efeitos defasados dos juros altos já aparecem principalmente na indústria, nos serviços e no crédito – cujo impulso está negativo há dez meses, consistente com uma política monetária restritiva.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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