Porto Alegre, 18 de setembro de 2026 – O mercado chega ao fim de uma semana bastante movimentada após as definições de juros no Brasil, Estados Unidos, Inglaterra e Japão focando novamente nas questões domésticas. Com a agenda esvaziada nesta sexta-feira, o cenário eleitoral ganha destaque novamente, com as repercussões envolvendo o reajuste de incentivos em programas sociais anunciado ontem pelo governo federal. No cenário internacional, o ponto de atenção leva em conta a decisão do Banco do Japão (BOJ) de elevar a taxa básica de juros do país para 1,25% ao ano, o maior patamar desde 1995.
No Brasil, o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado pelo presidente Lula, virou, em poucas horas, uma das principais armas da campanha eleitoral e abriu uma nova frente de discussão fiscal. A 17 dias do primeiro turno, o piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio, para R$ 777.
De acordo com a BDM Online, o impacto estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027 e 2028. A equipe econômica afirma que a despesa será acomodada sem ampliar o limite global de gastos e sem comprometer as metas fiscais. O remanejamento virá no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 24.
Na última das quatro pesquisas eleitorais divulgadas ontem para a disputa presidencial, o Datafolha manteve Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados. No segundo turno nada mudou. Lula continua com 46% e Flávio, 44%, os mesmos porcentuais da semana passada. A rejeição dos dois também é idêntica e bastante elevada, em 47%.
O levantamento foi o primeiro realizado após a sessão do STF desta semana, que para muitos analistas políticos teria prejudicado Lula por sua proximidade com Alexandre de Moraes.
Outro ponto em destaque para os próximos dias leva em conta as apostas de que o Copom possa reduzir novamente a taxa Selic no Brasil em 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano, nas reuniões programadas para o mês de novembro. Neste sentido, a ata do Copom, que será divulgada no próximo dia 24, será importante para esclarecer até que ponto aumentou a confiança do Banco Central na desaceleração da economia e no comportamento da inflação.
Na próxima semana, as atenções se voltam também para a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, A expectativa é de que o presidente Lula possa aproveitar o evento para mandar recados ao eleitor brasileiro com a proximidade do pleito eleitoral. A aposta é de soberania e defesa da democracia, duas bandeiras exploradas por Lula na campanha, possam fazer parte de seu discurso. O presidente deve ainda fazer contrapontos indiretos a Donald Trump, sem citá-lo nominalmente, e defender as instituições e o processo eleitoral brasileiro.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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