Porto Alegre, 22 de outubro de 2026 – O mercado deve ter mais dia de atenções voltadas ao pleito eleitoral no Brasil, com a proximidade do segundo turno das votações, no próximo domingo. Lá fora, o foco segue nas tensões no Oriente Médio, que favoreceram uma nova escalada nos preços do petróleo.
Conforme relatório matinal da Ajax Asset, “lá fora, ativos de risco mostram sinais de fragilidade, com alta do petróleo, forte fechamento de taxa das treasuries e queda das bolsas, pressionadas pelo setor de tech. Assim, o mercado começa a questionar o impacto da alta do preço no crescimento, dando mais peso ao impacto na inflação. Por aqui, as atenções seguem direcionadas às eleições, e a mercê do humor internacional”.
Informações divulgadas pela BDM Online sinalizou que a agência britânica UKMTO relatou ataques a dois petroleiros, próximos a Omã e ao Iraque, sem vítimas. Os Estados Unidos, por sua vez, estão reduzindo discretamente a presença militar em bases no Oriente Médio e retirando pessoal diplomático da região, segundo a NBC News, em movimentação semelhante à que antecedeu o início da guerra com o Irã, em fevereiro.
Ainda no Oriente Médio, um drone foi interceptado perto do campo petrolífero de Shaybah, da Saudi Aramco, provocando um incêndio, mas sem afetar a produção. Já à noite, a agência iraniana Fars informou que Teerã poderá ampliar sua lista de alvos para incluir autoridades políticas americanas e infraestrutura de países envolvidos no conflito, caso uma nova ofensiva dos EUA provoque mortes de dirigentes iranianos ou de civis.
No cenário doméstico, as mais recentes pesquisas eleitorais voltaram a gerar incertezas no mercado quanto à vitória de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. De acordo com a pesquisa Quaest, a vantagem de Flávio caiu e agora ele tem 45% das intenções de voto, enquanto Lula tem 44%, o que configura um empate técnico entre os candidatos.
Segundo a BDM Online, embora a pesquisa não tenha provocado uma reversão nas apostas em Flávio, o resultado levou parte dos investidores a reavaliar o otimismo com a vitória do candidato da oposição, considerado pelo mercado mais propenso a promover um ajuste fiscal. Alguns gestores admitem o risco de uma virada de Lula, caso se confirme uma onda antibolsonarista na reta final da campanha.
Agora o mercado espera a divulgação de novas pesquisas. Às 9h sai o levantamento do Indexa/Broadcast, mas o destaque maior fica com a pesquisa Datafolha, que será divulgada às 19h.
No cenário internacional, a percepção do banco norte-americano Goldman Sachs e do britânico Barclays é de que nem Lula nem Flávio Bolsonaro apresentaram propostas claras levando em conta um ajuste das contas públicas, embora a sustentabilidade fiscal seja a principal âncora para a precificação do risco brasileiro.
Segundo o Goldman Sachs, o próximo presidente herdará uma trajetória de dívida insustentável, com déficits orçamentários superiores a 8% do PIB nos últimos quatro anos e dívida pública acima de 82% do PIB. Para o banco norte-americano, um eventual governo Flávio tenderia a adotar uma agenda mais orientada ao mercado, enquanto um quarto mandato de Lula provavelmente manteria maior participação do Estado na economia.
Já o Barclays calcula que estabilizar a dívida bruta exigirá superávits primários de pelo menos 2% do PIB nos próximos anos. Segundo o banco britânico, diante de um déficit estimado em 0,5% do PIB em 2026, o ajuste necessário ultrapassaria 2,5 pontos porcentuais do PIB, ou cerca de R$ 350 bilhões, por meio de cortes de gastos, aumento de receitas ou uma combinação de ambos.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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