São Paulo, 9 de março de 2026 – O conflito no Oriente Médio se intensificou no final de semana, impactando diretamente nos mercados. O petróleo disparou, atingindo a casa de US$ 100 o barril. As bolsas de valores recuam ao redor do mundo, em meio ao cenário de maior aversão ao risco. Os investidores tentam ancorar em portos seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro.
Ministros das Finanças do G7 devem realizar uma reunião de emergência nesta segunda-feira para discutir uma possível liberação conjunta de petróleo das reservas estratégicas, coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE). A medida está sendo considerada após a forte alta dos preços do petróleo provocada pelo conflito envolvendo o Irã no Golfo, segundo reportagem do Financial Times.
Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, foi nomeado nesta segunda-feira novo líder supremo do Irã, e sucede seu pai, morto em ataques recentes. A escolha indica que os setores mais duros do regime continuam no poder e reduz as perspectivas de um fim rápido para a guerra no Oriente Médio. O anúncio aumentou a preocupação com uma crise energética global prolongada, provocando forte alta do petróleo e queda acentuada das bolsas internacionais.
Os preços dos contratos futuros do petróleo disparam na manhã desta segunda-feira e ultrapassaram os US$ 100 por barril, por conta de cortes de produção por parte de alguns produtores, e o acirramento no conflito no Oriente Médio. A escolha de Mojtaba Khamenei como sucessor do pai, Ali Khamenei, foi um dos propulsores da escalada dos preços. O fechamento do Estreito de Ormuz também interfere nas cotações.
A cotação da commodity tipo Brent chegou a US$ 119,50 o barril na madrugada de hoje, mas esse ímpeto de alta foi atenuado com a notícia de que ministros das Finanças do G7 podem se reunir para decidir uma liberação dos seus estoques de petróleo. O processo terá a supervisão da Agência Internacional de Energia (AIE).
No Brasil, as instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus mantiveram em 3,91% a previsão para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. A meta para a inflação no período é de 3,00%.
Para 2027, as instituições financeiras elevaram de 3,79% para 3,80% a previsão para a inflação medida pelo IPCA.
A pesquisa elevou de 12,00% para 12,13% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. Atualmente, ela está em 15,00%, o que significa que o mercado espera um corte de 2,87 ponto porcentual (pp) até o final do ano. Há quatro semanas, a estimativa para a Selic ao fim de 2026 estava em 12,25%. Para 2027, a estimativa para a taxa Selic manteve-se em 10,50%.
A projeção para a taxa de câmbio em 2026 diminuiu de R$ 5,42 para R$ 5,41 por dólar, enquanto a estimativa para 2026 manteve-se em R$ 5,50 por dólar. Quatro semanas atrás, a previsão para 2026 era igual, mas a estimativa para 2026 era maior, de R$ 5,50.
O trade eleitoral também merece atenção neste início de semana. Pesquisa do Datafolha divulgada durante o final de semana confirmou a consolidação de Flávio Bolsonaro como o principal nome da direita. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro está tecnicamente empatado com o presidenyte Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno.
No campo corporativo, segue a temporada de balanços. E os olhos se voltam também para a Petrobras. Com a disparada do petróleo, cresce a pressão sobre a estatal por uma possível elevação nos preços dos combustíveis.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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