São Paulo, 21 de maio de 2026 – Após um início de dia positivo, o mercado financeiro global mudou de direção, reagindo às mais recentes notícias sobre o conflito no Oriente Médio. O sentimento, neste momento, é de que as negociações entre Irã e Estados Unidos retrocederam. Como consequência, petróleo, dólar e títulos voltaram a subir. As bolsas na Europa e no pré-mercado de Wall Street recuaram.
Aqui no Brasil, a agenda para hoje está vazia e os mercados deverão seguir a sinalização externa. O conturbado cenário eleitoral segue no radar dos investidores, mas o foco principal segue sendo o conflito no Oriente Médio.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou que os estoques iranianos de urânio enriquecido não poderão ser enviados ao exterior, endurecendo a posição de Teerã em uma das principais exigências apresentadas pelos Estados Unidos nas negociações de paz.
Segundo duas fontes iranianas ouvidas pela Reuters, a decisão reforça divergências centrais nas negociações envolvendo o programa nuclear iraniano. Autoridades israelenses afirmaram à Reuters que o presidente americano Donald Trump garantiu a Israel que qualquer acordo de paz incluirá a retirada do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido do território do país.
Segundo as autoridades iranianas, o envio do material ao exterior deixaria o país mais vulnerável a futuros ataques dos Estados Unidos e de Israel. Segundo as fontes, há forte desconfiança dentro do governo iraniano de que a atual pausa militar esteja sendo utilizada pelos Estados Unidos como estratégia para preparar novos ataques.
Trump reiterou na quarta-feira que os Estados Unidos estão prontos para retomar ataques caso o Irã não aceite um acordo, embora tenha afirmado que poderá aguardar alguns dias por respostas de Teerã.
Merece atenção a série de indicadores que serão divulgados logo mais nos Estados Unidos. O mercado procura sinalização sobre o futuro da política monetária americana, em meio aos temores inflacionários decorrentes dos altos custos de energia com a continuidade da guerra.
Ontem, a ata da mais recente reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostrou que dirigentes da autoridade monetária americana passaram a discutir de forma mais concreta a possibilidade de novas altas de juros diante da persistência da inflação nos Estados Unidos.
Segundo o documento, a maioria dos membros do Fed avaliou que um aperto adicional da política monetária poderá se tornar apropriado caso a inflação continue rodando de forma persistente acima da meta de 2%.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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