São Paulo, 30 de outubro de 2026 – O mercado financeiro global iniciou a sexta sob forte aversão ao risco, com índices acionários futuros caindo nos Estados Unidos e petróleo subindo. Dois são os motivos de preocupação: a tensão no Oriente Médio e a preocupação com o resultado das grandes empresas de tecnologia.
Esse desempenho negativo externo deve atingir os ativos locais. O mercado doméstico segue reagindo negativamente a fatores locais. Os agentes especulam sobre os nomes que irão compor a equipe econômica e o posicionamento do governo frente a questão fiscal.
Os participantes voltam as suas atenções para a decisão sobre os juros no Brasil, na próxima semana. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos primeiros passos do novo governo, houve uma revisão nas apostas para o próximos encontro. Até o início da semana era dado como certo um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Hoje, a maioria do mercado já enxerga a manutenção da Selic em 13,75% ao ano.
Em relação a indicadores, a agenda não tem grandes novidades e as atenções se voltam para os dados de mercado de trabalho que serão divulgados às 9h pelo IBGE. No campo corporativo, o mercado absorve o resultado da Vale, divulgado após o fechamento da sessão. A Empresa registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026 (3T26), queda de 53% na comparação com o mesmo período de 2025. Por outro lado, a receita líquida de vendas cresceu 2%, passando para US$ 10,599 bilhões no 3T26.
“Lá fora, risk off com pressão nas bolsas, lideradas pelo setor de Tech e forte fechamento de taxa de juros. Conforme temos abordado, o mercado volta a questionar a sustentabilidade dos altos investimentos em IA, que vem sendo o grande vetor de suporte ao crescimento americano. De pano de fundo, resultados decepcionantes de Alphabet, Amazon e Intel, além do ataque hacker recorde à Binance”, resume a Ajax Asset, em boletim matinal. “Por aqui, ativos seguem digerindo o resultado das eleições, com o ajuste de posições, e as especulações sobre o Ministro da Fazenda, e sua orientação de política econômica à frente”, completa.
O governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles, é um dos nomes que circulam no mercado como possíveis ocupantes do Ministério da Fazenda e, em declarações feitas ontem, seu discurso mais fiscalista trouxe algum alento em meio à precificação do expansionismo que outros agentes do próprio governo trouxeram à mesa.
“O próprio ministro Guilherme Boulos afirmou ontem que quem quer fiscalismo não entendeu o resultado das urnas, opondo-se fortemente a qualquer ajuste”, avaliou a Ativa Investimentos.
O Banco do Japão (BoJ) declarou nesta sexta-feira uma importante vitória em sua luta de décadas contra a deflação, ao reconhecer que a inflação subjacente atingiu aproximadamente 2%, em linha com sua meta de estabilidade de preços. A avaliação reforçou as expectativas de novas elevações dos juros, apesar da decisão de manter a taxa básica inalterada em 1,25% ao ano.
A decisão foi aprovada por oito votos a um, conforme amplamente esperado pelo mercado. O dirigente Hajime Takata defendeu uma elevação da taxa para 1,5%, mas sua proposta foi rejeitada pelos demais integrantes do conselho.
O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no terceiro trimestre de 2026 subiu 0,4% na comparação com os três meses anteriores e avançou 1,3% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O mercado esperava alta de 0,2% em base trimestral.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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