Porto Alegre, 13 de março de 2026 – O mercado internacional do café voltou a ter uma semana de altos e baixos. As tensões geopolíticas, com a guerra no Oriente Médio, seguem repercutindo de maneira geral nos mercados financeiros e de commodities. O dólar ganha volatilidade contra outras moedas, o petróleo disparou, e o café naturalmente não ficou indiferente a isso, pelo contrário.
A guerra no Irã gerou como consequência o fechamento por parte das forças revolucionárias do país do Estreita de Ormuz. Segundo o Barchart, o Líder Supremo do Irã, Aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta semana que a influência do Irã no fechamento do Estreito de Ormuz deve ser usada, e a Secretária de Defesa do Reino Unido, Healey, disse que está cada vez mais evidente que o Irã está instalando minas no Estreito. O fechamento da hidrovia aumentou as taxas de frete marítimo global, os seguros e os custos de combustível, elevando também os custos para importadores e torrefadores de café. Por lá passa um quinto do petróleo negociado no mundo. As subidas do petróleo têm forte influência nas commodities de modo geral.
Mas se o conflito é um fator altista, há aspectos nos fundamentos do café que não deixam as cotações avançarem ainda mais. Bem verdade que o café na Bolsa de Nova York para o arábica, desde a deflagração da guerra em 28 de fevereiro, mudou de patamar. Ele vinha trabalhando em torno da faixa de 280 centavos, depois do conflito superou a faixa de 290 centavos e testou 300 centavos.
Aí entra o cenário fundamental, que traz perspectivas de uma melhora na oferta global na temporada 2026/27, escorada em uma grande safra brasileira, sobretudo de arábica. As condições climáticas seguem favoráveis, como foram em janeiro e fevereiro, favorecendo o desenvolvimento final da safra que começa a ser colhida pelo conilon já em abril.
Dessa forma, NY não conseguiu romper a linha de 300 centavos, mostrando além dessa pressão fundamental uma fragilidade técnica ao não superar essa resistência. Esse aspecto técnico é baixista, e essa linha precisaria ser rompida para sustentar voos mais altos do café em um momento delicado em que se avizinha a chegada da safra do maior produtor e exportador do mundo, e que deve ser muito boa.
NY, que baliza as cotações internacionais, fechou no contrato maio nesta quinta-feira, a 291,90 centavos de dólar por libra-peso. Na máxima da semana, no dia 09, chegou a bater em 301,65 centavos, mas recuou depois e na mínima da semana, dia 11, atingiu 283,50 centavos, mostrando toda a volatidade com o cenário global tenso e às vésperas da safra do Brasil.
No mercado físico brasileiro de café, mais uma semana de muita cautela com as instabilidades das bolsas e do dólar. Os produtores dosam a oferta e os compradores adquirem só o necessário para o curto prazo, vislumbrando melhores condições com a chegada adiante da safra brasileira.
O café arábica bebida no sul de Minas Gerais terminou a quinta-feira a R$ 1.930,00, contra R$ 1.910,00 da quinta-feira da semana passada (05/03). O conilon tipo 7, em Vitória/Espírito Santo, recuou no mesmo comparativo de R$ 1.060,00 para R$ 1.010,00 a saca.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Safras News)
Copyright 2026 – Grupo CMA

