Porto Alegre, 13 de julho de 2026 – O indicador de preços composto da Organização Internacional do Café (OIC) recuou 2,8% em junho, para uma média de 248,90 centavos de dólar por libra-peso, na comparação com maio (256,05 centavos).
Os preços mantiveram a tendência de queda observada em maio durante os primeiros dias de junho, recuando para 231,96 centavos de dólar por libra-peso em 9 de junho — o nível mais baixo em quase dois anos. No entanto, apresentaram uma forte recuperação de 17,4%, atingindo a máxima de dois meses de 272,39 centavos de dólar por libra-peso ao final do mês.
Em seu relatório mensal de acompanhamento do mercado, a OIC destacou que as condições climáticas voltaram a ser o principal fator determinante da dinâmica dos preços do café ao longo de junho.
Embora o I-CIP viesse apresentando uma tendência gradual de queda nos últimos meses — refletindo perspectivas de oferta cada vez mais favoráveis —, o sentimento do mercado mudou abruptamente em junho. Além disso, a crescente convicção de que o fenômeno El Niño evoluiria para um “Super El Niño” no final de 2026 interrompeu a trajetória de queda dos preços em 9 de junho. Posteriormente, chuvas muito acima da média nas principais regiões produtoras de café do Brasil retardaram a colheita, afetaram a qualidade dos grãos e provocaram perdas localizadas nas lavouras, fatores que impulsionaram ainda mais a recuperação dos preços.
Os movimentos de preços seguiram um padrão em “V” em junho. Ambos os mercados atingiram mínimas mensais em 9 de junho: o café Arábica caiu em Nova York para o nível mais baixo desde 5 de setembro de 2024 (mínima de 21 meses) e o Robusta em Londres para o nível mais baixo desde 21 de julho de 2025. Uma série de anúncios relacionados ao clima e às condições meteorológicas reverteu a tendência de queda. Começando com as expectativas crescentes de um “Super El Niño” e culminando em relatos de que chuvas fortes haviam desacelerado a colheita e causado perdas, esses acontecimentos impulsionaram a alta do I-CIP a partir de 9 de junho.
Fatores de alta – que sustentaram os preços:
– A Agência Meteorológica do Japão (10 de junho) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (11 de junho) divulgaram relatórios indicando forte probabilidade (67%) de ocorrência de um evento “Super El Niño” – o maior nível de confiança já registrado. As previsões geraram preocupações sobre o impacto potencial na safra de café 2026/27; embora os efeitos variem entre regiões e estações, esses eventos estão geralmente associados a:
– Redução de chuvas no Caribe, na América Central e no México;
– Aumento de temperaturas e redução de chuvas no norte da América do Sul, incluindo o norte do Brasil e áreas fora do oeste da Colômbia;
– Aumento de chuvas no sul do Brasil e na Bolívia;
– Chuvas mais irregulares e inundações na África Oriental; e
– Condições de seca no Sudeste Asiático, incluindo Indonésia e Vietnã.
- Em 17 e 24 de junho, a Safras & Mercado informou que a colheita de café do Brasil (safra 2026/27) avançava mais lentamente do que o habitual, atingindo 39% e 44% de conclusão, respectivamente. O atraso concentrou-se nas áreas de café Arábica, onde o excesso de chuvas prejudicou as operações de colheita e secagem, particularmente em estados produtores importantes, como Minas Gerais. O índice de 44% de conclusão registrado em 24 de junho ficou abaixo dos 51% registrados um ano antes e da média de cinco anos, que é de 47%.
- O Estreito de Ormuz ficou efetivamente fechado a partir de 28 de fevereiro, forçando as rotas de transporte marítimo entre a Ásia e a Europa a desviarem pelo Cabo da Boa Esperança, o que acrescentou de 10 a 14 dias aos tempos de trânsito e elevou os custos de frete, seguro, combustível e fertilizantes. Entre meados e o final de fevereiro, os preços do combustível marítimo (*bunker*) subiram 68%, as tarifas *spot* de contêineres praticamente dobraram e os preços dos fertilizantes aumentaram 25%. Embora uma reabertura gradual em 22 e 23 de junho — após o acordo entre EUA e Irã de 17 de junho de 2026 — tenha levado os preços do café Robusta à mínima de uma semana, os ataques aos navios *Ever Lovely* e *Kiku*, nos dias 25 e 27 de junho, reacenderam as tensões geopolíticas e, consequentemente, os prêmios de risco associados, em questão de dias.
- O volume combinado de estoques certificados pela ICE (Arábica e Robusta) caiu para 1,09 milhão de sacas em 30 de junho, o nível mais baixo desde fevereiro de 2024. Esse declínio sinalizou uma oferta mais restrita de estoques elegíveis para entrega, deixando o mercado com margens de segurança limitadas contra interrupções imprevistas no abastecimento e intensificando a reação dos preços aos atrasos na colheita no Brasil.
- Em 29 de junho, a Somar Meteorologia, empresa privada de previsão do tempo no Brasil, registrou 31,3 milímetros de chuva em Minas Gerais durante a semana encerrada em 28 de junho, o que equivale a 1.956% da média histórica para o período. Os níveis de precipitação excepcionalmente altos, ocorridos durante o que normalmente é a estação seca, atrasaram as operações de colheita e secagem e geraram preocupações quanto à qualidade dos grãos.
Fatores de baixa – pressionando os preços:
- Em 1º de junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou a safra brasileira de 2026/27 em nível recorde, 14% acima da temporada anterior, enquanto o Rabobank elevou em 35,7% sua estimativa de superávit global de café arábica para 2026/27. Isso reforçou relatórios positivos anteriores, como o segundo levantamento oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projetou a safra total do país em 66,7 milhões de sacas — incluindo 45,8 milhões de sacas de arábica (+28% em relação ao ano anterior) —, ao passo que a consultoria Safras & Mercado projetou um aumento de 13,4% na safra total.
- No final de maio, o USDA revisou para cima sua estimativa de produção do Vietnã para a safra 2025/26, situando-a em 31,7 milhões de sacas, e projetou uma produção de 32,5 milhões de sacas para o ano cafeeiro 2026/27.
- O índice do dólar (dolar index) situou-se em 101,6 pontos durante a semana de 22 de junho, próximo à máxima de 15 meses, criando um fator de pressão negativa para os preços do café que só arrefeceu com a alta observada no final do mês.
Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Safras News
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