Porto Alegre, 2 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro de milho registrou comportamento misto de preços ao longo de setembro, oscilando entre estabilidade, leves altas em algumas praças e quedas pontuais em outras. Segundo a consultoria Safras & Mercado, de maneira geral, os produtores mantiveram uma postura cautelosa na comercialização ao longo de grande parte do mês, restringindo a oferta e apostando em possíveis valorizações futuras, diante da volatilidade observada tanto nos contratos futuros quanto no câmbio. Apesar dessa postura dos vendedores, não houve espaço para movimentos consistentes de alta nos preços.
Pelo lado da demanda, os consumidores atuaram de forma bastante cadenciada, demonstrando conforto em relação ao abastecimento e, em alguns casos, realizando aquisições apenas para meses à frente. Além disso, a paridade de exportação não encontrou espaço para avanços, limitando o suporte aos preços no mercado interno.
Outro fator de importante ao longo do mês foi o ritmo das exportações brasileiras de milho. O volume acumulado permanece abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior, situação que continuará no radar dos agentes de mercado nos próximos meses devido ao potencial impacto sobre os estoques domésticos.
No cenário internacional, setembro foi marcado por forte volatilidade em função da divulgação dos relatórios de oferta e demanda e de estoques trimestrais dos Estados Unidos. O número de estoque dos EUA, divulgado ontem, acabou impactando negativamente, tanto na Bolsa de Chicago quanto na B3 registram forte queda no dia 30 de setembro.
As condições climáticas também permaneceram no centro das atenções durante todo o mês. Houve intensa especulação em torno do clima na América do Sul e, nos próximos meses, o mercado deverá acompanhar de perto a evolução do plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras, uma vez que eventuais mudanças no padrão climático poderão afetar o potencial produtivo e, consequentemente, a formação dos preços.
Preços do milho
O valor médio da saca de milho no Brasil foi cotado a R$ 66,58 no dia 30 de setembro, baixa de 0,04% frente aos R$ 66,61 registrados no final de agosto. No mercado disponível ao produtor, o preço do milho em Cascavel, Paraná, foi cotado a R$ 68,50, aumento de 0,78% frente ao valor praticado no final do mês retrasado.
Em Campinas/CIF, a cotação ficou em R$ 71,00, com queda de 3,40% frente aos R$ 73,00 praticados no final do mês retrasado. Na região da Mogiana paulista, a saca do cereal baixou 2,94% e foi cotada a R$ 66,00, contra os R$ 68,00 do final de agosto.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca foi cotada a R$ 67,00, sem alterações em relação ao fechamento do mês retrasado. Em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço subiu 2,86% ao longo de setembro, passando de R$ 70,00 para R$ 72,00.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda ficou em R$ 65,00, estável ante o final de agosto. Já em Rio Verde, Goiás, a saca foi cotada em R$ 63,00, 3,08% aquém dos R$ 65,00 praticados no final do mês retrasado.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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