Porto Alegre, 2 de abril de 2026 – O mercado brasileiro de milho apresentou um cenário de preços mais altos ao longo de março em boa parte das praças de comercialização. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, este ambiente foi pautado pelo clima, que contribuiu para atrasos na colheita da soja e avanços lentos no plantio da safrinha de milho.
Questões envolvendo a alta nos preços dos fretes por conta da colheita da soja, somado ao aumento nas cotações do diesel com o conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, também ajudaram a sustentar as cotações do cereal.
No Rio Grande do Sul, com o tempo mais firme, as colheitas de milho de verão andaram melhor ao longo do mês, permitindo um melhor abastecimento por parte dos consumidores. Já no Centro-Norte do Brasil, os produtores adotaram a estratégia de reter as fixações de venda por conta do clima, na tentativa de trabalhar com preços mais altos para o cereal.
No cenário internacional, também sentindo diretamente o impacto do conflito no Oriente Médio, os preços na Bolsa de Chicago tiveram uma boa alta em março, diante do fortalecimento dos preços do petróleo, fator que ajuda a estimular a demanda por biocombustíveis, como o etanol, fabricado a partir de milho nos Estados Unidos.
O foco dos negócios esteve voltado também ao relatório de intenção de plantio de milho dos Estados Unidos, divulgado no último dia 31, que confirmou a expectativa de que os produtores poderão reduzir a área cultivada na temporada 2026/27. A redução prevista na área, contudo, foi menor que a esperada pelo mercado.
Os Estados Unidos deverão cultivar 95,338 milhões de acres na safra 2025, queda de 3% frente aos 98,788 milhões de acres cultivados na temporada anterior, segundo relatório de intenção de plantio divulgado há pouco pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O mercado trabalhava com uma área de 94,371 milhões de acres. Na comparação com o ano passado, a expectativa é de que área fique inalterada ou menor em 37 dos 48 estados consultados.
Preços internos
O valor médio da saca de milho no Brasil foi cotado a R$ 66,71 no dia 31 de março, alta de 0,53% frente aos R$ 64,88 registrados no final de fevereiro. No mercado disponível ao produtor, o preço do milho em Cascavel, Paraná, foi cotado a R$ 66,00, avanço de 3,13% frente aos R$ 64,00 do encerramento de fevereiro.
Em Campinas/CIF, a cotação ficou em R$ 75,00, inalterado frente ao final de fevereiro. Na região da Mogiana paulista, a saca do cereal avançou 2,86% ao longo do mês, de R$ 70,00 para R$ 72,00.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca foi cotada a R$ 57,00, aumento de 3,64% perante os R$ 55,00 do final de fevereiro. Em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 67,00 em março, avanço de 4,69% ante os R$ 64,00 frente ao fechamento do mês anterior.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda subiu 3,08% ao longo do mês, passando de R$ 65,00 para R$ 67,00 a saca. Já em Rio Verde, Goiás, a saca foi cotada em R$ 64,00, acréscimo de 6,67% perante os R$ 60,00 registrados no final de fevereiro.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)
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