O início de 2026 não tem sido muito promissor para o mercado brasileiro de soja. No fechamento de janeiro, compradores e vendedores se mostram retraídos, diante de preços mais baixos e resultando em um ritmo lento na comercialização.
O comportamento dos dois principais formadores das cotações domésticas tem sido distinto. Enquanto os futuros negociados em Chicago acumularam ganhos, o dólar se desvalorizou forte frente a outras moedas, incluindo o real.
Frente a esse quadro, os produtores estão priorizando os trabalhos de campo. Até o momento, não há problemas mais graves em termos climáticos. A colheita avança e as produtividades obtidas vão confirmando o bom potencial produtivo. A safra brasileira deverá ser a maior da história, superando 179 milhões de toneladas.
A saca de 60 quilos em Passo Fundo (RS) abriu o ano a R$ 138,00 e era cotada a R$ 124,00 no dia 30 de janeiro, com recuo de 10,14%. Em Cascavel (PR), o preço se desvalorizou 14,71% no período a R$ 116,00. Em Rondonópolis (MT), a cotação caiu 13%, fechando o mês a 107,00. No Porto de Paranaguá, a saca baixou para R$ 127,00, com queda de 9,93% no período.
Chicago inicia o ano em recuperação
Os contratos com vencimento em maio subiram 1,8% em janeiro na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Na manhã do dia 30 de janeiro, a posição estava cotada a US$ 10,66 1/2 por bushel. Dois pontos motivaram o bom desempenho: sinais de reaproximação comercial de China e Estados Unidos, o que poderia resultar em novos compromissos envolvendo a soja, e a desvalorização do dólar, que torna os produtos agrícolas americanos mais competitivos.
No final do mês, a falta de chuvas na Argentina também ajudou a sustentar os contratos. Mas, de forma geral, a expectativa é de uma ampla oferta mundial da commodity. A ampla safra brasileira começa a entrar no mercado e as projeções ainda são de produção cheia na Argentina. O mercado já conta com o deslocamento da demanda chinesa para o mercado sul-americano.
Já o câmbio foi no caminho contrário e impactou mais os preços domésticos da soja. O dólar comercial perdeu 5,35% de força na comparação com o real. A moeda americana estava cotada a R$ 5,19 na manhã do dia 30.
As falas desencontradas do presidente americano Donald Trump sobre tarifas, comando do banco central do país e questões geopolíticas trouxe temor ao mercado e definiu essa perda de força do dólar em nível global. O dinheiro saiu dos Estados Unidos e aportou nos países emergentes. E essa maior oferta pesou sobre a cotação também no Brasil.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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