Porto Alegre, 9 de janeiro de 2026 – O mercado físico do boi gordo apresentou preços de estáveis a mais altos ao longo da semana nas principais praças de comercialização do Brasil. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos de menor porte atuaram de maneira mais contundente na compra de gado, em função das escalas de abate mais apertadas, o que contribuiu para a alta de preços em algumas regiões.
O mercado ainda tenta se ajustar após a definição de tarifas e cotas por parte da China, que limitou as exportações do Brasil neste ano em 1,1 milhão de toneladas, com tarifas excedentes acima desse volume. Iglesias destaca que houve especulações com relação a um volume de 350 mil toneladas que está em trânsito em direção a China, que foi negociado de maneira prévia ainda em 2025. “Por conta da decisão chinesa, alguns frigoríficos já sinalizam que pode haver uma redução na capacidade de abate das plantas”, pontua.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 8 de janeiro:
* São Paulo (Capital) – R$ 323,00 a arroba, alta de 0,94% em relação aos R$ 320,00 praticados no final da última semana.
* Goiás (Goiânia) – R$ 315,00 a arroba, aumento de 0,64% frente aos R$ 313,00 registrados no encerramento da semana passada.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 315,00 a arroba, inalterado frente ao valor praticado no fechamento da última semana.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 315,00 a arroba, sem alterações frente ao preço registrado no final da semana passada.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 300,00 a arroba, sem mudanças ante a semana passada.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 280,00 a arroba, similar ao preço registrado na última semana.
Atacado
Iglesias comenta que o mercado atacadista se deparou com preços acomodados.”Vale destacar que, após o período de festividades, o que se aguarda é a retração dos cortes de maior valor agregado (traseiro bovino), diante de um perfil de consumo que prioriza produtos mais acessíveis, a exemplo dos cortes do dianteiro bovino, carne de frango, ovos e embutidos em geral”, avalia.
O quarto do traseiro do boi foi cotado a R$ 25,40 o quilo, inalterado ante a semana passada. Já o quarto do dianteiro do boi foi vendido por R$ 17,85 o quilo, também sem alterações frente ao preço registrado no final da semana passada.
Exportações
Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.
Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Safras News
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