O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira que a economia dos Estados Unidos entra em 2026 com bases sólidas. Mas há de sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho e de uma inflação ainda acima da meta de 2%. Durante coletiva após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), Powell confirmou a decisão de manter a taxa básica de juros inalterada. Ele destacou que os cortes acumulados de 0,75 ponto percentual desde setembro colocaram a política monetária em “nível apropriado para promover o avanço rumo ao pleno emprego e à estabilidade de preços”.
Segundo o presidente do Fed, o consumo das famílias segue resiliente e os investimentos empresariais continuam a crescer, enquanto o setor imobiliário permanece enfraquecido. Powell destacou que a recente paralisação temporária do governo federal impactou o PIB do último trimestre de 2025, mas avaliou que esses efeitos devem ser revertidos no início de 2026. O desemprego, que ficou em 4,4% em dezembro, mostra leve estabilização após meses de enfraquecimento. Isso reflete menor crescimento da força de trabalho em razão da queda na imigração e da participação laboral mais baixa.
Powell reconheceu que a inflação ainda está “moderadamente elevada”, em 2,9% no indicador de consumo pessoal (PCE) e 3% no núcleo. Ele atribuiu o aumento principalmente ao impacto das tarifas comerciais sobre bens importados. “A boa notícia é que grande parte da pressão inflacionária vem dos efeitos de tarifas, que são pontuais e devem se dissipar ao longo do ano”, declarou. O dirigente indicou que o Fed pretende avaliar a necessidade de novos cortes de juros reunião a reunião, guiando-se pelos indicadores de emprego e preços.
Fed e política
Nas perguntas de repórteres, Powell também abordou temas políticos e institucionais. Ele falou sobre sua presença em uma audiência da Suprema Corte referente à conselheira Lisa Cook (criticada por autoridades do Tesouro). Powell afirmou que “não é apropriado responder a outros oficiais”, mas justificou sua ida dizendo que o caso é “um dos mais relevantes na história de 113 anos do Fed”. Também reiterou o compromisso com a independência da autoridade monetária. “A independência não é para proteger cargos, mas para garantir que as decisões sejam tomadas com base no interesse público e livres de pressões políticas”.
Powell reconheceu ainda que as tarifas e as mudanças no comércio global continuam sendo fatores relevantes. O dirigente afirmou que a economia americana “resistiu bem” às disputas comerciais e que boa parte dos custos impostos pelas tarifas foi absorvida por empresas intermediárias, e não diretamente pelos consumidores. Quanto às perspectivas, ele reiterou que o Federal Reserve está “bem posicionado” para ajustar suas decisões conforme o cenário evolua. “Nossa política não segue um curso pré-definido. Estamos atentos aos dados e prontos para agir de forma equilibrada”.

