Na coletiva de imprensa logo depois da decisão de política monetária, o presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou como a incerteza sobre o conflito do Oriente Médio foi abordada na reunião com os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) – em especial, a elevação das expectativas de inflação de curto prazo, influenciadas pela recente alta nos preços de energia. Apesar disso, afirmou que as expectativas de longo prazo seguem ancoradas, o que é fundamental para a condução da política monetária. As projeções do banco central indicam inflação de 2,7% neste ano e 2,2% no próximo, sugerindo um processo gradual de desaceleração, ainda cercado de incertezas.
Um dos principais pontos de atenção, segundo Powell, é o impacto do conflito no Irã sobre a economia global. Ele afirmou que as consequências ainda são altamente incertas, especialmente devido à volatilidade nos preços do petróleo. No curto prazo, o aumento dos custos de energia tende a pressionar a inflação, mas a magnitude e a duração desse efeito ainda são desconhecidas, o que dificulta uma resposta mais assertiva da política monetária.
Powell reiterou que, tradicionalmente, choques de energia são tratados como temporários, mas alertou que a sucessão de choques recentes – incluindo pandemia, tarifas e agora o petróleo – aumenta o risco de desancoragem das expectativas inflacionárias. Nesse contexto, o Fed deverá agir com cautela, monitorando de perto tanto os riscos de inflação quanto os sinais de enfraquecimento da atividade econômica e do mercado de trabalho.
Economia continua sólida e mercado de trabalho se mantém estável
Powell também reafirmou que a política monetária atual segue adequada para cumprir o duplo mandato de pleno emprego e estabilidade de preços. Segundo ele, a economia americana continua apresentando crescimento sólido, com consumo resiliente e investimento em expansão, embora o setor imobiliário permaneça fraco. O mercado de trabalho, por sua vez, mostra estabilidade, com taxa de desemprego em torno de 4,4%, apesar da criação moderada de empregos.
O presidente do Fed destacou, no entanto, que a inflação ainda permanece acima da meta de 2%, girando em torno de 2,8% no índice cheio e 3,3% no núcleo. Ele reconheceu que, embora tenha havido desaceleração em relação aos picos recentes, o progresso no controle dos preços tem sido limitado, com pressões vindas principalmente do setor de bens e dos efeitos de tarifas. O dirigente ressaltou que o Fed precisa observar sinais mais consistentes de desaceleração inflacionária para confirmar uma trajetória sustentável de convergência à meta.
Por fim, o presidente do Fed enfatizou que a política monetária não segue um caminho pré-definido e será ajustada conforme a evolução dos dados. Ele reafirmou o compromisso da instituição em trazer a inflação de volta à meta de 2% de forma sustentável, destacando que manter a credibilidade e as expectativas ancoradas é essencial diante de um cenário global marcado por elevada incerteza e riscos persistentes.

