Porto Alegre, 23 de outubro de 2026 – O mercado físico do boi gordo registrou mais uma semana de preços sinalizando movimentos de alta no Brasil, em meio à cautela dos pecuaristas em disponibilizar maiores volumes de ofertas para compra por parte dos frigoríficos.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário de preços firmes apresentou intensidades distintas nos últimos dias. Em São Paulo, a valorização da arroba perdeu tração após os avanços recentes, com uma maior acomodação das referências e resistência dos frigoríficos a trabalhar com patamares mais elevados de preços. Na Região Norte, por outro lado, a alta continua mais intensa, diante da oferta restrita e da necessidade das indústrias de recompor suas programações.
Iglesias sinaliza que as escalas de abates seguem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte do país. “A dificuldade para alongar as programações indica que o mercado continua vulnerável a novos episódios de alta, inclusive em São Paulo”, pontua.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 22 de outubro:
* São Paulo (Capital) – R$ 385,00 a arroba, inalterado frente ao encerramento da última semana.
* Goiás (Goiânia) – R$ 368,00 a arroba, aumento de 0,2% frente aos R$ 365,00 registrados no encerramento da semana anterior.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 375,00 a arroba, alta de 1,35% frente aos R$ 370,00 registrados no fechamento da semana passada.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 380,00 a arroba, avanço de 2,7% frente aos R$ 370,00 praticados no encerramento da última semana.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 355,00 a arroba, avanço de 1,43% perante os R$ 350,00 praticados no fechamento da semana passada.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 363,00 a arroba, alta de 0,83% em relação aos R$ 360,00 registrados no final da semana passada.
Atacado
Conforme Iglesias, o mercado atacadista trabalhou com menores espaços para reajustes nos últimos dias, limitados aos cortes do dianteiro bovino, diante do menor apelo ao consumo característico da segunda quinzena do mês e da redução dos efeitos associados à entrada dos salários na economia. Para o curto prazo este cenário persiste, uma vez que a carne bovina continua enfrentando forte concorrência das proteínas substitutas, especialmente da carne de frango, que apresenta ampla vantagem de preço e tende a ocupar maior espaço nas decisões de compra dos consumidores.
O quarto do traseiro bovino foi precificado a R$ 29,50 por quilo, valor inalterado frente ao encerramento da semana passada. Já o corte do quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 22,30 por quilo, avanço de 1,36% frente aos R$ 22,00 praticados no encerramento da última semana.
Exportações
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 671,457 milhões em outubro até o momento (11 dias úteis), com média diária de US$ 61,041 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 107,835 mil toneladas, com média diária de 9,803 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.226,70.
Em relação a outubro de 2025, houve baixa de 24,4% no valor médio diário da exportação, queda de 32,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 12,4% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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