Porto Alegre, 2 de abril de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou março com viés de firmeza. Para o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento, o principal fator de sustentação foi a restrição de oferta no curto prazo.
No mercado FOB interior, os preços médios registraram avanço expressivo na comparação mensal. No Paraná, as indicações chegaram a R$ 1.370 por tonelada, alta de 14% frente a fevereiro. Já no Rio Grande do Sul, o cereal foi negociado em torno de R$ 1.200 por tonelada, com valorização de 12% no mesmo período.
“Além da menor disponibilidade interna, o mercado contou com o suporte do cenário externo. O trigo argentino acumulou alta de cerca de 7% no mês, refletindo o ajuste dos preços do país vizinho às referências internacionais”, afirmou Bento.
Por outro lado, o câmbio atuou como fator de contenção, ao registrar leve recuo próximo a 1% em março, limitando um repasse mais intenso das valorizações externas ao mercado doméstico.
Exportação
O line-up, programação de embarques nos portos brasileiros, de trigo alcança 1,979 milhão de toneladas no acumulado da temporada 2025/26, considerando embarques realizados e/ou programados. Os dados fazem parte do levantamento de Safras & Mercado.
Do volume total, 1,919 milhão de toneladas (97%) têm origem no Rio Grande do Sul, enquanto o Paraná responde por 60 mil toneladas (3%). O trigo paranaense foi integralmente direcionado aos moinhos do Nordeste via cabotagem. Já o produto gaúcho apresentou maior diversificação, com cerca de 190 mil toneladas destinadas à cabotagem e 1,729 milhão de toneladas voltadas ao mercado externo.
O volume dificilmente deve sofrer alterações relevantes até o fim da temporada, uma vez que a escassez de oferta interna tem elevado os preços domésticos, balizados pela paridade de importação, tornando o mercado interno mais atrativo que a exportação. Em relação ao ciclo anterior, quando os line-ups somaram 1,941 milhão de toneladas, observa-se avanço de 2,0%.
Destaca-se ainda uma mudança qualitativa relevante: na safra atual, os embarques foram predominantemente de trigo milling, ao passo que, no ciclo anterior, cerca de metade do volume correspondia a trigo feed, reflexo das perdas de qualidade provocadas pelas chuvas na colheita.
Entre os destinos, Bangladesh lidera com 418,3 mil toneladas (21,1%), seguido pelo Vietnã, com 405,6 mil toneladas (20,5%). Na terceira posição aparecem as 250,8 mil toneladas destinadas ao Nordeste via cabotagem (12,6%).
Importação
O line-up, programação de desembarques nos portos brasileiros, indica que as importações de trigo somam 3,723 milhões de toneladas no acumulado da temporada 2025/26 (agosto a abril), considerando embarques realizados e/ou programados. Os dados fazem parte do levantamento de Safras & Mercado.
O volume confirma um fluxo consistente de abastecimento externo ao longo do período, com forte concentração em determinados polos logísticos.
A distribuição dos desembarques evidencia centralização geográfica, com o Ceará liderando com 826.607 toneladas (22,2%). Em seguida aparece São Paulo, com 731.876 toneladas (19,7%), desempenhando papel estratégico no abastecimento do Sudeste.
Na sequência, destacam-se Bahia, com 509.050 toneladas (13,7%), e Pernambuco, com 463.776 toneladas (12,5%), reforçando a relevância do eixo Nordeste nas operações de importação.
Em um segundo bloco, aparecem Rio de Janeiro, com 298.193 toneladas (8,0%); Paraná, com 226.620 toneladas (6,1%); e Rio Grande do Sul, com 184.990 toneladas (5,0%), com participações mais moderadas, porém relevantes para o equilíbrio do abastecimento nacional.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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