Porto Alegre, 8 de maio de 2026 – O mercado brasileiro de arroz segue inserido em um ambiente de forte fragilidade comercial, baixa liquidez e deterioração crescente da formação de preços, refletindo principalmente a combinação entre excesso de oferta, câmbio desfavorável às exportações e baixa efetividade dos mecanismos oficiais de sustentação. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
“Mesmo após a realização dos leilões de PEP e PEPRO, o mercado continua operando sem reação consistente, com negociações extremamente escassas e indústrias mantendo postura defensiva”, relata o consultor.
Os grandes produtores permanecem retraídos, priorizando retenção de estoques e aguardando melhora nas condições comerciais, enquanto produtores com menor capacidade financeira seguem realizando vendas pontuais para recomposição de caixa.
Nesse contexto, os resultados dos leilões de PEP e PEPRO acabaram reforçando a percepção negativa do setor. A baixa adesão — com menos da metade dos volumes efetivamente negociados — evidenciou a limitação operacional do mecanismo frente às dificuldades estruturais atuais de mercado.
Além disso, parte significativa dos agentes avalia que os prêmios acabaram parcialmente absorvidos pela indústria e pelas tradings através do ajuste negativo nas referências de compra ao produtor. “Em diversas regiões, o mercado passou a trabalhar com diferenciação entre operações habilitadas e não habilitadas ao programa, ampliando distorções regionais e reduzindo ainda mais a transparência da formação de preços”, pondera o analista.
Em relação aos preços, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (7) cotada a R$ 61,65, queda de 3,03% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço foi de 1,34%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingiu 19,63%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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