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Mercado do feijão opera com retenção estratégica e preços consolidados durante janeiro

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O mercado do feijão carioca encerra o mês de janeiro consolidando uma virada histórica, marcada pela escassez física de padrões superiores (nota 9,5) e pela ausência de excedentes. Esse movimento, na avaliação do analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, transformou o grão em um ativo de alto valor, negociado no patamar de R$ 295 por saca CIF São Paulo. Mais do que um simples rali de preços, o período confirmou a consolidação do chamado “olhar evolutivo” no campo.

“A tecnologia de escurecimento lento deixou de ser diferencial e passou a funcionar como régua de sobrevivência, garantindo ao produtor um ágio próximo de R$ 50 por saca frente às variedades comuns”, afirma o analista.

Com a colheita de Minas Gerais sendo absorvida regionalmente e o estoque de passagem severamente enxugado, o setor produtivo retomou o poder de precificação. A resistência tática dos vendedores projeta fevereiro como o mês do embate definitivo pelo teto dos R$ 300 por saca na Zona Cerealista.

A qualidade permaneceu como vetor central de formação de preços ao longo de todo o mês. O padrão extra, sobretudo notas 9 e 9,5, consolidou-se em patamares elevados, com a nota 9,5 firmada em torno de R$ 295 por saca CIF São Paulo, ignorando tentativas recorrentes de barganha por parte do setor comprador. As referências FOB avançaram de forma coordenada, com o interior paulista entre R$ 278 e R$ 280 por saca, Minas Gerais testando tetos entre R$ 260 e R$ 270 por saca em negócios pontuais e Sorriso (MT) surpreendendo ao ultrapassar R$ 240 por saca, evidenciando o espalhamento do movimento altista.

Do lado da oferta, o analista destaca que Minas Gerais teve papel decisivo. Mesmo com o início da colheita, o produto não chegou aos grandes centros, sendo absorvido pelo consumo interno mineiro e pela demanda do Nordeste. Ele acrescenta que a inexistência de estoques parados anulou a pressão dos compradores e transformou antigas resistências em pisos técnicos.

“O mercado encerra janeiro operando em ambiente seco, firme e claramente dependente do comprador, com viés altista enquanto a segunda safra não se materializa”, resume Oliveira.

Feijão preto rompe ciclo de prejuízos e devolve rentabilidade ao produtor

Para o mercado do feijão preto, janeiro marcou o encerramento de um ciclo prolongado de margens comprimidas e o início de um processo de realinhamento econômico para o produtor. A combinação entre a forte quebra de área no Paraná e o vácuo deixado pelo recorde exportador do último ano resultou em uma reprecificação técnica, rompendo a barreira dos R$ 210 por saca no atacado paulista.

Segundo o analista, o momento revela uma maturidade estratégica pouco comum no setor. O produtor, consciente da liquidez restrita, passou a priorizar o beneficiamento e a retenção seletiva, forçando a indústria a buscar paridade inclusive com o produto importado.

“Quando o comprador começa a demonstrar desconforto, é sinal de que o valor da saca voltou a refletir o risco e a complexidade da cultura”, aponta Oliveira.

A principal âncora do mercado segue sendo a forte redução de área no Paraná, combinada ao controle rigoroso da liberação de volumes. Produtores e atravessadores atuaram de forma coordenada, liberando mercadoria de maneira fracionada e, em alguns casos, suspendendo vendas à espera de maior necessidade do mercado.

“Com isso, os preços na roça paranaense sustentaram-se entre R$ 170 e R$ 180 por saca FOB, com relatos pontuais acima desses níveis. Santa Catarina avançou em direção a R$ 165 por saca FOB, enquanto interior paulista e Mato Grosso buscaram firmar referências próximas de R$ 195 por saca”, explica o especialista.

No atacado, o intervalo entre R$ 200 e R$ 220 por saca CIF São Paulo consolidou-se como novo padrão para produto beneficiado, mesmo com giro mais lento. A colheita da primeira safra no Paraná avançou, trazendo expectativa de entrada de grãos de melhor padrão, o que pode aliviar pontualmente a indústria, sem alterar o viés estrutural.

“Com as exportações perdendo relevância em 2026, o mercado interno assume protagonismo total, tornando o equilíbrio entre preço e consumo o principal ponto de atenção adiante”, conclui Oliveira.

Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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