Porto Alegre, 6 de fevereiro de 2026 – O mercado brasileiro de trigo teve outra semana com baixa fluidez nas negociações, postura defensiva dos moinhos e preços pressionados no curto prazo por fatores logísticos e pela necessidade pontual de venda de produtores. Apesar da fraqueza momentânea, a avaliação predominante é de que o viés estrutural segue sustentado, especialmente pelas paridades de importação e pelo cenário internacional.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, a dinâmica observada ao longo da semana reflete dificuldades no escoamento de farinha, estratégias cautelosas de cobertura e limitações de armazenagem diante do avanço da safra de verão.
“Não são todos os produtores, mas tem gente que precisa vender trigo para liberar espaço nos armazéns”, afirmou. Esse movimento ocorre em um ambiente de demanda retraída, com moinhos abastecidos ao menos até meados de março, o que reduz a urgência por novas compras.
No Paraná, a pressão de oferta foi mais evidente em função da necessidade de espaço nos armazéns. No mercado à vista, os preços oscilaram, com indicações mais baixas para retirada imediata, enquanto os referenciais para março se mantiveram mais firmes, variando conforme a região.
“Quando se fala em negócios mais curtos, esses preços podem ficar até R$ 100 por tonelada mais baixos”, destacou Bento.
No Rio Grande do Sul, o mercado seguiu lento e altamente dependente da qualidade do produto. As negociações foram pontuais, com ampla dispersão de preços e resistência dos moinhos em operar nos níveis pedidos pelos vendedores. A exportação, que havia trazido algum dinamismo anteriormente, deixou de sustentar novos negócios.
“Os navios que estão sendo embarcados agora são de negócios feitos antes, a exportação não está movimentando novas vendas”, observou o analista.
A questão da qualidade permaneceu como um dos principais focos da semana. Conforme Bento, há relatos de desempenho irregular tanto do cereal argentino quanto do gaúcho, o que dificulta decisões mais agressivas de compra. Nesse contexto, cresce a percepção de que o mercado pode enfrentar, mais adiante, um ajuste nos padrões ou um aumento no diferencial de preço das farinhas premium.
Apesar da perda de tração após a alta registrada em janeiro, o sentimento entre os agentes é de que a pressão atual seja pontual. Com o trigo ficando em segundo plano logístico durante o pico da colheita de soja e milho, a expectativa é de que, posteriormente, os moinhos retornem ao mercado para recomposição de estoques. “Dado o aperto no quadro de abastecimento, os preços devem corrigir em direção às paridades de importação”, concluiu Bento.
Exportação brasileira
Os line-ups de exportação de trigo brasileiro na safra 2025/26 totalizam 1,323 milhão de toneladas, considerando embarques realizados e programados entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. O Rio Grande do Sul concentra 98% do volume, com 1,290 milhão de toneladas, enquanto o Paraná responde por 32,7 mil toneladas. Os dados são do levantemento de Safras & Mercado.
Os embarques estão concentrados entre novembro e fevereiro, com maior volume em dezembro (510,8 mil toneladas), seguido por janeiro (345,7 mil toneladas) e fevereiro (218,5 mil toneladas). Entre os destinos, o Bangladesh lidera as compras, com 418,3 mil toneladas (31,6%), à frente do Vietnã, com 279,8 mil toneladas (21,1%). A cabotagem para o Nordeste soma 155,7 mil toneladas (11,8%), enquanto a Indonésia responde por 139,4 mil toneladas (10,5%). Outros destinos incluem Quênia (118,1 mil toneladas), Nigéria (54,5 mil toneladas), Equador (52,0 mil toneladas) e África do Sul (37,9 mil toneladas).
Para uma avaliação mais aprofundada confira:
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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