Porto Alegre, 9 de janeiro de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com negociações lentas, baixa liquidez e manutenção de preços estáveis. O ambiente é dominado pela postura cautelosa dos moinhos e pelo conforto no abastecimento interno. O analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, destaca a ausência de urgência compradora e a dificuldade de formação de referências consistentes ao longo dos últimos dias como motivadores desse ritmo travado.
No Paraná, o cenário permaneceu travado durante toda a semana. As indicações mais recorrentes seguiram ao redor de R$ 1.200 por tonelada posto moinho, com tentativas pontuais de recomposição em algumas regiões, sem avanço relevante nos fechamentos. No norte do estado, pedidas entre R$ 1.250 e R$ 1.280 por tonelada voltaram a aparecer, enquanto em Ponta Grossa as indicações oscilaram entre R$ 1.240 e R$ 1.250 por tonelada.
“A postura dos compradores segue defensiva, diante dos estoques ainda elevados e da referência competitiva do trigo importado”, apontou Bento.
No Rio Grande do Sul, o mercado físico continuou praticamente parado na maior parte da semana, com indicações nominais entre R$ 1.000 e R$ 1.050 por tonelada FOB. Houve registro pontual de negócios a R$ 1.030 por tonelada para pequenos volumes, destinados a moinhos de menor porte, com embarque em janeiro. Para fevereiro, as indicações passaram a testar níveis entre R$ 1.050 e R$ 1.060 por tonelada, sinalizando um leve viés de recuperação.
“A percepção é de que o mercado já fez fundo, com piso identificado próximo de R$ 1.000 por tonelada”, afirma o analista.
O principal vetor de sustentação ao longo da semana seguiu sendo o canal externo. As exportações mantiveram ritmo consistente, com os line-ups de trigo brasileiro superando 1,0 milhão de toneladas entre embarques realizados e programados, com origem integral no Rio Grande do Sul. Os destinos permaneceram concentrados na Ásia, liderados por Bangladesh, Vietnã e Indonésia.
“Enquanto o mercado doméstico segue cauteloso, o escoamento externo continua sendo o principal suporte para o trigo gaúcho”, resume o Bento, acrescentando que a expectativa é de formação gradual de novas referências à medida que janeiro avance e a demanda volte a testar o mercado com maior regularidade.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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