Porto Alegre, 02 de abril de 2026 – O mercado internacional de café teve um mês de março de volatilidade com o cenário geopolítico conturbado diante da guerra no Oriente Médio e suas consequências, além das próprias questões de oferta e demanda. O arábica apresentou altas na Bolsa de Nova York e no Brasil, enquanto o robusta recuou em Londres e o conilon seguiu com perdas internas.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, após perdas em fevereiro, o arábica encontrou recuperação em março. Destaca que o conflito no Oriente Médio trouxe muita agitação financeira. O preço do arábica reagiu e fez com que o produtor “puxasse o freio nas vendas”, o que deu mais suporte aos ganhos. “O ganho em março alimentou a esperança de alta, tirando oferta de mercado”, avalia.
Barabach lembra que a safra de 2025 foi menor de arábica que para o robusta, o que garante suporte aos preços do arábica neste momento. “A colheita de arábica demora um pouco mais para chegar no Brasil, de maio em diante”, observa.
Por outro lado, o analista pondera que o robusta/conilon não acompanha ganhos do arábica. “Começa agora a colheita de conilon/robusta no Brasil após a Páscoa e ainda tem muito café da safra passada. Além disso, tem a colheita principal na Indonésia em abril/maio e clima favorável no Vietnã para a próxima safra. Isso explica o comportamento das curvas diferentes”, analisa.
Sobre a tendência, Barabach comenta que a perspectiva com a chegada da safra 2026 é de pressão contra os preços. “Há otimismo com o tamanho da safra e a expectativa de um inverno mais ameno, com chegada do El Nino, que reforçam esse sentimento”, indica. Haverá natural pressão com a chegada da safra do Brasil. “Ainda tem coisa a se definir, mas confirmando a expectativa de safra grande a tendência fundamental do mercado é de preços mais fracos com o avanço de café novo do Brasil”, avalia.
Ele adverte que com clima adverso, como uma geada, ou a disparada do dólar, são fatores que podem mexer com o mercado. “Por enquanto, não estão no radar”, pondera.
No balanço de março, na Bolsa de NY, o contrato maio/2026 do café arábica acumulou valorização de 6,3%, subindo de 280,75 centavos de dólar por libra-peso no último dia de fevereiro para 298,35 centavos de dólar por libra-peso no fechamento de 31 de março. O robusta em Londres teve queda de 3,6% no mesmo comparativo no contrato maio.
O mercado físico acompanhou a volatilidade das bolsas e do câmbio. De um lado os produtores procuraram dosar a oferta, mas os compradores também tiveram comportamento de aquisições da mão para a boca sabendo da pressão adiante com a entrada da safra brasileira.
O café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais acumulou alta de 6,6% em março, avançando de R$ 1.830,00 para R$ 1.950,00 a saca na base de compra. No mês de março, o conilon, tipo 7, em Vitória/Espírito Santo, acumulou uma queda de 4%, passando de R$ 1.010,00 a saca para R$ 970,00 a saca na base de compra.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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