A Índia está perto de concluir, ainda neste mês, um acordo comercial há muito negociado com a União Europeia (UE), que pode se tornar o maior pacto do país. Já as conversas com os Estados Unidos seguem arrastadas. Autoridades indianas afirmam que as negociações com o bloco europeu estão em estágio avançado. O acordo pode ser finalizado antes da visita de líderes europeus a Nova Délhi no fim de janeiro.
Tal negociação é estratégica para ambos os lados, ao aprofundar laços econômicos e reduzir a dependência de China e Rússia. Em 2024, o comércio bilateral entre Índia e UE alcançou 120 bilhões de euros, tornando o bloco o maior parceiro comercial indiano. Caso seja fechado, o pacto abriria o vasto e protegido mercado consumidor indiano a produtos europeus. Além disso, poderia redefinir fluxos do comércio global em um contexto de crescente protecionismo.
As negociações ganharam impulso após a retomada em 2022 e a decisão de acelerar o processo em 2025, especialmente depois que os Estados Unidos impuseram tarifas mais altas a parceiros comerciais, incluindo a India. Enquanto Bruxelas avança em acordos com outros países, Nova Délhi também vem ampliando sua rede de pactos comerciais, como os firmados com Reino Unido, Omã e Nova Zelândia.
Apesar do avanço, pontos sensíveis permanecem. A India excluiu produtos agrícolas e não pretende abrir seus setores agrícola e de laticínios, buscando proteger milhões de pequenos agricultores. A UE pressiona por cortes tarifários em automóveis, dispositivos médicos e bebidas alcoólicas, enquanto a India pede maior acesso para bens intensivos em mão de obra e cooperação em serviços, tecnologia e energia verde. Um dos principais entraves segue sendo o mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira, que já afeta exportações indianas.

