Porto Alegre, 15 de abril de 2026 – O mercado de biodiesel enfrenta um cenário mais complexo em 2026, marcado por incertezas regulatórias e impactos do ambiente internacional, segundo análise do consultor da Safras & Mercado, Gabriel Viana, durante a 11a edição do Safras Agri Week.
De acordo com o especialista, a expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel perdeu força ao longo do ano, apesar de o setor já estar preparado para a mudança. “O cenário parecia claro no início do ano, mas a guerra no Oriente Médio virou o mercado de cabeça para baixo”, afirmou.
A alta do petróleo elevou o custo do diesel e reforçou o argumento a favor do aumento da mistura, já que o biodiesel poderia reduzir a necessidade de importações. No entanto, o risco inflacionário associado à medida tem pesado nas decisões, especialmente em um ambiente de maior sensibilidade aos preços de combustíveis.
Segundo Viana, o setor tem capacidade produtiva suficiente para atender a níveis mais elevados de mistura, tanto em termos industriais quanto de oferta de matéria-prima, com destaque para o óleo de soja. Ainda assim, fatores econômicos e regulatórios devem seguir determinantes para a evolução do programa.
A avaliação dele foi de que um eventual avanço na mistura pode ocorrer apenas no segundo semestre, dependendo das condições de mercado e do comportamento dos preços ao longo do ano.
Ainda no painel, o analista e consultor Fernando Henrique Iglesias ressaltou que a volatilidade nos preços do petróleo causada pelo cenário da guerra entre os Estados Unidos e o Irã trouxe um apelo global para o aumento de mistura obrigatória. “Neste período, vimos diversas vezes o barril rompendo a barreira dos US$ 100,00. E esse aumento no apelo pela demanda obrigatória também fez com que os preços do óleo de soja subissem”, disse.
Em adição a isso, Viana destacou que “os países do mundo inteiro estão percebendo que talvez não seja uma boa ideia depender tanto assim do petróleo. Se é tão fácil assim o Irã pode trancar 20% da produção mundial de petróleo, talvez a principal matriz energética não deva ser o petróleo”, pontuou.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Safras News)
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