Porto Alegre, 21 de março de 2025 – A ministra das relações institucionais, Gleisi Hoffmann, disse hoje, em entrevista à CNN Brasil, que o aumento na taxa Selic de 1 ponto percentual já estava precificado desde dezembro. Hoffmann descartou divergências com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e que vai contribuir com ele e com a equipe econômica para o avanço das pautas de interesse no Congresso.
“Minha posição sempre foi crítica à política de juros. Considero a política atual muito contracionista. Tenho a expectativa que o BC considere agora a realidade econômica do país”, disse Gleisi, acrescentando que há condições do país ter uma situação melhora na política monetária.
A ministra afirmou ter uma boa relação com Haddad, mesmo com as divergências expostas anteriormente. “Estamos mostrando que é possível fazer desenvolvimento econômico com controle das contas públicas”, disse.
Glesi diz querer ajudar o ministro Haddad na condução das pautas econômicas no Congresso, começando pela tramitação e aprovação da proposta da isenção do Imposto de Renda e do empréstimo consignado.
Nas duas primeiras semanas na pauta, a ministra afirmou que a prioridade foi aprovar a peça orçamentária e comemorou e agradeceu ao Congresso pela definição da questão. Reafirmou que a proposta do IR – “muito bem feita pelo ministro Haddad” – é prioridade e que acredita na aprovação por parte do Congresso. “É uma questão de justiça social”, complementou.
Gleisi disse que o presidente se mostra disposto e acredita que ele seja o candidato do PT na eleição presidencial. Sobre o adversário, afirmou não saber se será o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e vê uma direita muito dividida. “Não escolhemos adversários. Qualquer um que venha será enfrentado”.
Reforçou que o governo é contra o projeto de Anistia que, segundo ela não é nem uma questão de interesse do governo, mas, sim do país. Disse que o governo é a favor do final da escala 6×1, mas que é necessário discutir alternativas para os pequenos negócios.
A ministra afirmou que a atual meta de inflação é justa e que não vê necessidade de se discutir uma mudança. “Não acho que a inflação esteja absurdamente estourada. Não acredito que só a política de juros vá resolver a inflação. Estamos tomando medidas”, apontou, citando ainda os efeitos sazonais do clima e a recente baixa do câmbio.
Sobre a IR, disse ainda que não foi discutida a relatório do projeto e que essa é uma definição do presidente da Câmara, Hugo Motta, mas que vai negociar e dar sugestões em nome do governo. Sobre a reforma ministerial e a composição da base do governo, a ministra disse que essa é uma decisão que cabe ao presidente Lula.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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